Negócios Sustentáveis

Pesquisa avalia os melhores relatórios de sustentabilidade do Brasil

Semana passada estivemos no lançamento da pesquisa “Rumo à Credibilidade”, desenvolvido em conjunto pela Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS) e pela SustainAbility. O objetivo do projeto foi analisar a qualidade dos relatórios de sustentabilidade e encorajar as empresas brasileiras a aprimorarem suas práticas de relato.

Bancos estudam ampliar o alcance dos Princípios do Equador

Nos dias 11 e 12 de dezembro participamos do evento Os Princípios do Equador – 5 Anos – Foco no Futuro, que foi promovido pelos bancos signatários desses Princípios. Pela primeira vez um evento dessa relevância ocorre no Brasil, justamente nesse momento em que o Banco Itaú preside o grupo das instituições financeiras signatárias dos Princípios do Equador (PE).

Enxofre no diesel: atraso na redução de poluentes compromete a saúde pública

Participamos no dia 9/12 do evento “Enxofre no diesel: debate com especialistas”, que foi promovido pelo Núcleo de Economia Socioambiental da USP juntamente com o Núcleo de Economia Agrícola e do Meio Ambiente da UNICAMP. Quais as causas e conseqüências da decisão tomada por Governo Federal, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores - Anfavea e Petrobras de adiar por três anos o fornecimento de diesel limpo para todo o país? O que explica o adiamento na implantação de uma norma técnica tão importante para a saúde pública? Por que razão empresas tão eficientes, organizadas, inovadoras e abertas ao diálogo social não conseguiram organizar-se para responder à demanda pública? Essas questões foram debatidas pelos seguintes especialistas: Paulo Saldiva – prof. da Escola de Medicina da USP, José Eduardo Ismael Lutti - promotor de Justiça e Meio Ambiente do Ministério Público do Estado de S. Paulo, Henry Joseph Jr., presidente da Comissão de Energia e Meio Ambiente da Anfavea e Frederico Kremer - Diretoria de Abastecimento da Petrobras. O prof. Saldiva disse que falta incluir na pauta da política ambiental a qualidade do ar como tema de saúde pública. Ele destacou que há duas medidas mais relevantes para melhorar a qualidade do ar: interromper a queima de carvão e baixar o nível de enxofre do diesel. Ele chamou a atenção para o número de mortes por poluição na cidade de São Paulo: 12 a 14 pessoas por dia, sendo 40% a 45% decorrentes do diesel. Ismael Lutti – promotor do Ministério Público, afirmou que as partes envolvidas na questão do nível de enxofre no diesel estão descumprindo a Lei Federal 8723 de 1993 e a Resolução 315 de 2002 do Conama, que estabelecem os critérios, prazos e limites de emissão de poluentes para veículos novos. Ele acrescentou que o Termo de Ajustamento de Conduta – TAC, que foi acordado entre os agentes envolvidos no processo produtivo do diesel e dos veículos não os exime de crime ambiental. O promotor público acrescentou que a resolução do Conama não foi respeitada por falta de vontade desses agentes. Tentando justificar o descumprimento da legislação, Joseph da Anfavea disse que precisaria saber se haveria disponibilidade do combustível (diesel com menor nível de enxofre) no mercado para alterar a tecnologia dos motores. Por sua vez, Kremer afirmou que a Petrobras vem investindo em suas refinarias e que irá disponibilizar o diesel com menor teor de enxofre a partir de 1º. de janeiro de 2009, conforme estabelece a resolução do Conama. Ao final do evento, lamentavelmente, as questões propostas não foram suficientemente elucidadas. Prevaleceu o ponto de vista do representante do Ministério Público de que a resolução do Conama não foi cumprida por falta de vontade dos agentes envolvidos. Leia aqui a Resolução 315 do Conama. Leia aqui a Lei Federal 8723.

Bank of America vai deixar de operar com clientes do setor de carvão

Após organizações ambientalistas terem questionado o financiamento de extração de carvão nos Estados Unidos, o Bank of America acabou lançando sua mais nova política para esse setor de atividade. Por meio dessa política o banco compromete-se em financiar os setores de eficiência energética, energias renováveis e outras fontes de energia de baixa emissão de carbono. Paralelamente, o banco anunciou que somente irá financiar clientes do setor, cujo método de extração do carvão é de superfície, deixando de operar com aqueles que utilizam métodos mais agressivos ao meio ambiente. Reconhecendo que os combustíveis fósseis, incluindo o carvão, ainda continuarão fontes relevantes de geração de energia no mundo, agravando as mudanças do clima, o Bank of America também anunciou que irá promover pesquisas para viabilizar em escala global a captura e o armazenamento do carbono no subsolo do planeta. Nessa direção o banco estabeleceu uma parceira com o Harvard University Center for the Environment. Consideramos essa nova política do Bank of America mais uma iniciativa do setor financeiro no sentido de avaliar os riscos e oportunidades associados às mudanças climáticas. Ela ocorre logo em seguida do lançamento do Climate Principles, que comentamos no post do dia 4/12. Leia aqui a Política do Setor de Carvão. Leia aqui a parceira do Bank of America com a Harvard University Center for the Environment.

Instituições financeiras lançam diretrizes para mudanças climáticas

Cinco instituições financeiras internacionais, Crédit Agricole, HSBC, Munich Re, Standard Chartered e Swiss Re, acabam de lançar o The Climate Principles (Princípios Climáticos). Esses Princípios são um conjunto de diretrizes voluntárias para orientar o setor financeiro na gestão das mudanças climáticas nas seguintes áreas de negócios: administração de recursos, análise de investimento, varejo, seguros e resseguros, atacado, mercado de capitais e financiamento de projetos. Entre os compromissos assumidos pelas instituições que aderem aos Princípios Climáticos, destacamos o de considerar nas decisões de negócios os riscos e as oportunidades associadas às mudanças do clima e desenvolver produtos e serviços aos seus clientes com foco climático. Tudo indica que as instituições, desde agora, se comprometem a fazer com que os Princípios venham a resultar em políticas consistentes de mudanças climáticas e energia. Nesse momento da crise financeira, o lançamento dos Princípios Climáticos contraria a opinião de alguns que colocam em dúvida a continuidade dos investimentos para combater as mudanças climáticas. Consideramos oportuno que as instituições financeiras brasileiras avaliem a adesão a esses Princípios. Saiba mais sobre os Princípios Climáticos aqui. Também sobre o impacto das mudanças climáticas no setor financeiro, leia aqui sobre a iniciativa The Carbon Principles.

Governo de S.Paulo inicia planejamento ambiental estratégico

O Governo do Estado de São Paulo lançou o Projeto Estratégico “Cenários Ambientais 2020”, que é um dos 21 projetos estratégicos da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e tem por objetivo elaborar propostas de políticas públicas de médio e longo prazo a partir de cenários ambientais prospectivos para o ano de 2020. Cenários Ambientais 2020 é, portanto, um projeto de planejamento que busca inserir a dimensão ambiental nas ações do governo e da iniciativa privada, visando a direcionar a trajetória ambiental de São Paulo pela melhor rota possível. O projeto Cenários Ambientais 2020 produzirá duas publicações: a primeira contendo um diagnóstico do Estado, considerando os principais indicadores de pressão ambiental como, por exemplo, demografia, economia, transporte e energia, além de indicadores de qualidade da água, solo e ar. A segunda publicação apresentará os cenários ambientais prospectados, bem como as propostas de políticas públicas a partir dos mesmos. Os cenários serão construídos por meio de uma consulta virtual aberta, possibilitando a participação de todos sobre 28 temas estratégicos, dentre os quais destacamos: mudanças climáticas, critérios socioambientais de consumo e transporte urbano. Saiba mais sobre o projeto e participe da consulta para elaborá-lo aqui.

Evento da AIESEC e FIESP: crise financeira é aprendizado para crise climática

Dentro da Semana Global do Empreendedorismo, participamos ontem do painel “Empreendedorismo e Negócios Sustentáveis em Tempo de Crise”. Em tempos de turbulência financeira, o painel abordou como encarar a sustentabilidade nos negócios: ficará em segundo plano ou se transformará em uma oportunidade de negócios? Resumidamente, os palestrantes do painel convergiram na direção de que é imprescindível que as empresas reforcem suas práticas de governança, ética e transparência, alinhando o discurso com a efetiva prática da sustentabilidade nos negócios. Agora que a crise financeira já provoca recessão econômica em diversos países, mais ainda se faz necessária a incorporação da sustentabilidade na estratégia de negócios das empresas, tanto do lado da avaliação dos riscos socioambientais, como da criação de novas oportunidades de negócios (tecnologias limpas, energias renováveis, eficiência energética, etc). Na nossa apresentação, traçamos um paralelo entre a crise financeira e a crise climática. Ambas decorrentes do pensamento de curto prazo e da falta de preocupação com os riscos futuros, sendo claro o aprendizado com a crise financeira: é mais barato agir agora que esperar pelo pior (das mudanças do clima). Finalizamos, deixando como ponto de reflexão a afirmação do primeiro-ministro britânico Gordon Brown de que “as medidas para solucionar a crise financeira não devem ser tomadas às custas da agenda de combate às mudanças climáticas”.

Não perca: evento irá discutir sustentabilidade em tempos de crise

Atenção para mudança do local do evento! Empreendedorismo Social e Negócios Sustentáveis em Tempos de Crise Data: 18/11/2008 Novo local: Av. Prof. Luciano Gualberto, 908 - FEA 1 Sala A1 - Cidade Universitária Horário: das 15:30h às 18:00h Sobre o tema do evento: Em tempos de turbulências financeiras, quando a incerteza toma conta dos mercados, faz-se necessário repensar os rumos da nossa sociedade. Nesse cenário, como será encarada a sustentabilidade? Será colocada em segundo plano ou se tornará definitivamente uma oportunidade estratégica? São estas algumas das questões que esperamos suscitar com esse evento. Palestrantes: Cássio Trunkl – Sócio-diretor, Consultoria Finanças Sustentáveis Davis de Luna Tenório – Presidente, Grupo ECO Sabrina Rodrigues – diretora do CORES/FIESP e presidente da comissão de Responsabilidade Social da OAB Maria Eugênia Taborda – Comunicação e Sustentabilidade, Unibanco Faça sua inscrição aqui

Yunus diz que crise financeira é falta de humanização

Ontem estivemos presentes na palestra do prof. Muhammad Yunus, prêmio Nobel da Paz de 2006, que contou a sua experiência na criação do Grameen Bank, cuja atividade de microcrédito fomenta o empreendedorismo da população mais carente de Bangladesh, principalmente mulheres. Inicialmente o prof. Yunus comentou os desafios que enfrentou logo ao iniciar as atividades do Grameen: oposição dos grandes e tradicionais bancos do país que questionavam emprestar aos pobres; e questões sociais e religiosas, uma vez que em Bangladesh há resistências às mulheres exercerem a plena cidadania. Fundado em 1976, somente após seis anos 50% dos clientes do banco eram mulheres. Atualmente, esse percentual é de 97%. O Grameen começou pequeno e hoje já extrapola as fronteiras de Bangladesh. Ao ser indagado sobre as razões do sucesso do banco, o prof. Yunus resgatou conceitos simples, que fazem toda diferença ao negócio mas que parecem ter sido esquecidos: “Os bancos devem ir ao encontro das pessoas e não o contrário”, acrescentado que “é preciso que os bancos conheçam seus clientes”. A respeito da crise financeira mundial, o prof. Yunus disse que a crise é de confiança e que o risco não pôde ser evitado apesar dos bancos terem garantias, advogados e contrato. Segundo ele, a crise nos ensinou que “faltou o olho no olho”, “faltou humanização”. Finalmente, o prof. Yunus afirmou que a experiência de microcrédito do Grameen em Bangladesh serve em qualquer parte do mundo, porque progredir faz parte da natureza humana. Clique aqui para saber mais sobre o Grameen Bank e seu fundador prof. Yunus.

Mudanças climáticas: confira o novo relatório do CDP

Participamos ontem do lançamento do Relatório 2008 do Carbon Disclosure Project – CDP Brasil. O CDP, com sede em Londres, é uma organização sem fins lucrativos e independente que promove diálogo entre investidores e empresas de capital aberto, visando a divulgação de informações sobre as questões relativas às mudanças climáticas no âmbito dos negócios. Paralelamente, foi também lançado o relatório de 2008 do CDP das 500 maiores empresas abertas do mundo. A respeito do relatório brasileiro, Paul Simpson, diretor operacional do CDP, destacou o aumento de 47 para 60 empresas, respectivamente em 2007 e 2008, que responderam ao questionário que serve de base para a elaboração do relatório. Ele chamou atenção para o nível de adesão ao projeto: 83% das empresas convidadas responderam ao questionário. Esse percentual registrado no Brasil só foi inferior ao do Reino Unido (90%), país onde o CDP foi inicialmente criado. Pela primeira vez uma empresa brasileira, Vale do Rio Doce, entrou na lista das 60 melhores classificadas mundialmente, de acordo com o critério do CDP para avaliar como as empresas lidam com as mudanças do clima e buscam reduzir suas emissões de carbono. Simpson alertou sobre os riscos das mudanças do clima para as empresas: taxação sobre as emissões de carbono, maior regulamentação, alterações nos padrões climáticos, introdução de novas tecnologias e mudanças nos hábitos de consumo (consumidores estão cada vez mais exigentes). Por outro lado, ele identificou oportunidades de negócios, destacando que somente os investimentos em tecnologias limpas totalizaram US$ 150 bilhões em 2007. Finalmente, Simpson informou que o novo foco do CDP será avaliar toda a cadeia produtiva. Assim, as empresas que já participam do CDP devem buscar o engajamento de seus fornecedores no combate às alterações do clima e na redução das emissões de carbono. Outra novidade é que os dados do CDP sobre as empresas estão agora disponíveis no terminal de informações Bloomberg, o que facilitará a avaliação e a identificação das empresas que mais ganham e mais perdem com as mudanças do clima, como já o estão fazendo os bancos Citi e Goldman Sachs. Esperamos que cada vez mais instituições financeiras e administradores de recursos passem a incorporar essa análise em suas recomendações e decisões de investimento. Vale a pena conferir os relatórios do CDP aqui. Obs.: 1. a versão eletrônica do Relatório CDP 2008 Brasil brevemente estará disponível. 2. já é possível acessar as respostas de todas as empresas no site do CDP, inclusive das brasileiras.

Stern alerta para os impactos das mudanças do clima na economia

Participamos hoje do evento “Elementos-chave para uma economia de baixo carbono”, no qual houve a palestra do renomado economista inglês Nicholas Stern. A pedido do governo britânico, o prof. Stern elaborou um relatório para avaliar os aspectos econômicos das mudanças climáticas, o chamado Stern Review. Em sua palestra, o prof. Stern alerta para as conseqüências das mudanças do clima como, por exemplo, secas, inundações, furacões e aumento da temperatura do planeta, que irão provocar o deslocamento de populações afetadas por esses eventos climáticos e interferir no nosso modo de vida. Ele aponta para a necessidade de haver um entendimento global para estabilizar o nível de emissão na atmosfera dos gases do efeito estufa, principalmente de gás carbônico (CO2). Esse entendimento passaria por uma estreita colaboração entre o setor público e o setor privado, pela implantação de políticas públicas voltadas à mitigação dos impactos das alterações do clima, pela taxação das emissões de carbono e por investimentos em pesquisa e tecnologias de baixo carbono. Segundo ele, os setores siderúrgico, cimenteiro e de alumínio, grandes consumidores de energia, são os mais afetados e os que mais devem resistir a esse entendimento e recomenda aos governos não cometerem o erro de aumentar o protecionismo econômico, principalmente ao setor agrícola. Os riscos das mudanças climáticas para as empresas, segundo o prof. Stern, são: causar danos materiais, comprometer a reputação (nada fazer frente às alterações do clima), haver maior regulamentação e provocar alterações nos preços de mercado. Por outro lado, ele identifica oportunidades de negócios voltados ao desenvolvimento de novas tecnologias de baixa emissão de carbono e à eficiência energética. Finalmente, o prof. Stern alerta: “postergar os investimentos para combater a mudança do clima aumentará o custo para enfrentá-la mais adiante e dificultará ainda mais a nossa vida". Lei aqui o Relatório Stern.

Setor da construção civil lança Protocolo Ambiental

O Governo do Estado de São Paulo e entidades do setor da construção acabam de assinar um protocolo que visa a reduzir o impacto ambiental de obras públicas e privadas. O Protocolo Ambiental da Construção Civil Sustentável estabelece diretrizes para o uso racional de recursos naturais, seleção de materiais adequados, reuso de entulho e normas de construção que provocam menor impacto ambiental. Dentre as normas de construção, destaca-se a necessidade de utilização de energias renováveis e de equipamentos com baixo consumo de energia, o uso de iluminação e ventilação naturais e a preservação da vegetação. Além disso, as entidades que aderiram ao protocolo se comprometem a armazenar águas de chuva para uso não potável e a utilizar madeira de reflorestamento ou de origem legal comprovada em seus empreendimentos. A adesão ao protocolo é voluntária. Contudo, consideramos essa iniciativa um passo importante na direção do uso de práticas mais sustentáveis na industria da construção, podendo contribuir para a proteção do meio ambiente e melhoria das condições de vida nas cidades. Leia aqui o Protocolo Ambiental da Construção Civil Sustentável

Argentina: seguro ambiental agora é obrigatório

A Argentina acaba de se tornar o primeiro país do mundo onde empresas que estão envolvidas com atividades de maior potencial de impacto ambiental agora têm que contratar obrigatoriamente um seguro ambiental. A lei ambiental argentina, de 2002, já previa o seguro ambiental. Contudo, somente no final de setembro foi concluída a sua regulamentação. Na nossa opinião o seguro ambiental pode ser um instrumento para evitar que o ônus da reparação do meio ambiente recaia somente ao poluidor e não seja transferido para a sociedade. No Congresso brasileiro há projetos de lei na direção da obrigatoriedade do seguro ambiental. Seria interessante que os congressistas e o mercado segurador examinassem o exemplo da lei argentina. Acesse aqui: Ley General del Ambiente, 2002 Regulamentações e mais informações sobre o seguro ambiental argentino

Cadeias produtivas: novo acordo introduz critérios socioambientais

No âmbito das "Conexões Sustentáveis São Paulo - Amazônia", os setores da soja, pecuária bovina e madeira acabam de aderir a pactos voluntários para eliminar práticas ilegais em suas cadeiras produtivas e, assim, fornecer produtos que respeitam critérios socioambientais. Inicialmente, dois critérios serão aplicados aos fornecedores de madeira, carne, grãos e óleos vegetais, carne e madeira: i) não estar incluído na “lista suja” do trabalho escravo do Ministério do Trabalho; ii) não ter qualquer propriedade embargada pelo Ibama, onde foi constatado desmatamento ilegal. Na formulação dos pactos não houve consenso a respeito da verificação quanto à legalidade da terra de onde vem o produto, porque dos nove Estados da Amazônia Legal, apenas o de Mato Grosso possui um cadastro oficial de propriedades rurais. Apesar desse critério ter ficado de fora, entendemos que os pactos são uma iniciativa importante para introduzir a variável socioambiental nas cadeias produtivas de grãos, carne e madeira. São grandes empresas que beneficiam esses produtos antes deles chegarem aos consumidores. Daí a relevância dos pactos, que envolvem também redes varejistas. É o caso do Wal-Mart, que afirmou irá exigir que todos os seus fornecedores sejam signatários dos pactos. Esperamos que esses novos pactos possam contribuir para a redução do desmatamento da Amazônia e suas metas e resultados alcançados sejam amplamente divulgados. Leia aqui o Pacto da Soja Leia aqui o Pacto da Pecuária Leia aqui o Pacto da Madeira

Programe-se para assistir filmes sobre sustentabilidade

A partir de agora você pode conferir indicações de filmes e documentários sobre o tema da sustentabilidade no site da nossa consultoria Finanças Sustentáveis, ou aqui mesmo no nosso blog na coluna à direita. Clique aqui para conhecer as sinopses desses filmes. Nossas indicações abrangem desde documentários mais recentes que abordam os impactos do aquecimento global, até produções consagradas baseadas em acontecimentos reais. Ainda sobre filmes e documentários desse gênero, achamos bem-vinda a iniciativa do lançamento do Cine-clube Socioambiental, que agora está iniciando Mostra Itinerante do X Festival Internacional de Cinema e Video Ambiental de Goiás (FICA) e o 1º. Ciclo de Filmes e Palestras do Cine-clube. Para saber mais, clique aqui.

Receba nossos posts por email

A partir de agora você pode se cadastrar para receber em seu email o conteúdo postado aqui no blog Negócios Sustentáveis. Para isso, basta procurar no menu ao lado "Receba o conteúdo por e-mail" e se cadastrar.

Comunicação da sustentabilidade ou greenwashing?

Atualmente, é muito comum encontrarmos propagandas ou publicidades de empresas em jornais, revistas e na televisão, abordando o tema da sustentabilidade. Devido ao crescente uso do tema, está surgindo um debate sobre a qualidade das informações veiculadas nessas comunicações corporativas. Uma empresa que apresente benefícios ambientais ou socioambientais inexistentes ou inadequados em uma campanha publicitária, por exemplo, está sendo rotulada hoje de praticar o “greenwashing”. Esse termo em inglês é traduzido como “maquiagem verde”, representando algo usado para mascarar uma realidade não muito sustentável. E como as empresas podem evitar serem rotuladas por greenwashing? Sugerimos que elas fiquem atentas ao conteúdo de suas campanhas publicitárias e que tomem alguns cuidados. Aquelas empresas que queiram saber mais como evitar o greenwashing, podem seguir as orientações de guias que foram lançados recentemente. Existem pelo menos três documentos que explicam como se caracteriza o greenwashing e trazem recomendações práticas do que não se deve fazer ou comunicar a fim de evitá-lo. Faça o download aqui: The Greenwash Guide - Futerra Sustainability Communications The 6 Sins of Greenwashing - TerraChoice Eco-promising: Communicating the environmental credentials of your products and services - Forum for the Future and Business for Social Responsibility

Grandes empresas perdem a oportunidade de envolverem seus públicos de interesse

Essa é uma das conclusões de um recém-lançado relatório que avaliou a transparência dos relatórios de sustentabilidade das 50 maiores empresas americanas, segundo a lista da revista Fortune. De acordo com o relatório Measuring the Transparency of Environmental Sustainability Reporting Through Websites of Fortune 50 Corporations a maioria das empresas utiliza a internet para divulgar informações quanto ao seu desempenho socioambiental, mas poucas delas se utilizam do potencial interativo da internet para envolver seus stakeholders e serem transparentes na divulgação de suas informações. O relatório produzido por pesquisadores da Brigham Young University e da KDPaine and Partners avaliou quatro fatores em cada empresa: a participação de stakeholders na decisão de quais informações devem ser divulgadas; a utilidade das informações prestadas; o quanto essas informações possam representar o desempenho da empresa e a disponibilidade freqüente de informações de fácil compreensão. Os pesquisadores planejam expandir nos próximos meses a análise para as 500 maiores empresas americanas. Acesse o relatório

Brasil é o país mais sensível às variações do clima

Foi divulgado recentemente o estudo Global Weather Sensitivity que considerou informações do PIB, de setores econômicos e informações históricas sobre temperaturas e chuvas de 68 países para avaliar a sensibilidade da economia de cada nação às variações climáticas. Segundo o estudo, elaborado pela empresa de gerenciamento do risco climático WeatherBill, em função das grandes variações de temperatura e por possuir uma forte atividade econômica baseada na agricultura e na mineração, a economia brasileira é, de todas, a mais vulnerável às mudanças do clima. Achamos importante mencionar que esse estudo, da mesma forma que o recente estudo divulgado pela Embrapa, serve como um alerta para que empresas, investidores e também os financiadores dos setores mais sensíveis às variações climáticas, se utilizem de ferramentas para reduzir os potenciais impactos financeiros em seus negócios.

Empreendimentos imobiliários: Caixa lança diretrizes para minimizar riscos

A Caixa Econômica Federal (CEF), em parceria com a Agência Alemã de Cooperação Técnica (GTZ) e o Ministério do Meio Ambiente, lançaram ontem o Guia Avaliação Ambiental de Terrenos com Potencial de Contaminação (Guia). A publicação do Guia foi feita no âmbito do projeto Revitalização de Áreas Urbanas Degradadas por Contaminação – REVITA que visa a estabelecer diretrizes para gerenciar os riscos inerentes à ocupação de terrenos potencialmente contaminados. Sendo responsável pela implantação dos principais programas do governo federal para habitação de interesse social, saneamento ambiental e infra-estrutura urbana, a CEF tem especial interesse em viabilizar a re-ocupação de imóveis vazios ou subutilizados (edificações e instalações fabris, galpões, depósitos e terrenos) que, embora com boas características de localização e disponibilidade de serviços públicos, encontram restrições para reutilização devido a potencial presença de contaminações. A metodologia apresentada no Guia emprega instrumentos simples e ilustrativos de identificação do potencial de contaminação no terreno e no seu entorno. Em fase de teste nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro, a CEF irá utilizar o Guia em seus negócios de habitação e de fomento ao desenvolvimento urbano e ambiental e está incentivando seus parceiros a conhecê-lo e também utilizá-lo. Consideramos o lançamento do Guia uma iniciativa importante da CEF no sentido de identificar os passivos ambientais em imóveis e poder recuperá-los para novos usos, bem como de minimizar os riscos operacionais e financeiros de empreendimentos imobiliários em áreas que apresentam indícios de contaminação. Acesse aqui o Guia. Acesse aqui a relação de áreas contaminadas da CETESB.

Clima: Embrapa adverte para prejuízos no setor agrícola brasileiro

A Embrapa lança hoje o livro “Mudanças Climáticas: impactos sobre doenças de plantas no Brasil”, que trata da vulnerabilidade da agricultura frente às alterações do clima e conclui que os prejuízos no setor podem chegar a R$ 7,4 bi em 2020 e alcançar R$ 14 bilhões em 2070. Essas estimativas são baseadas em dois cenários climáticos: um pessimista prevê alta de 2°C a 5,4°C, o outro otimista prevê alta de 1,4°C a 3,8°C - que também traria mudanças climáticas significativas. A perda de produção agrícola poderá ser bastante significativa em algumas regiões, com conseqüências graves para a segurança alimentar, principalmente no Nordeste. Nove culturas foram avaliadas - algodão, arroz, café, cana-de-açúcar, feijão, girassol, mandioca, milho e soja -, sendo que somente duas serão beneficiadas pelo aquecimento global: cana e mandioca. Todas as demais sofrerão com a perda de áreas propícias para cultivo e aumento do custo de produção. A soja será a cultura mais afetada, sendo responsável de cerca de 50% dos prejuízos calculados para 2020 e 2070. Por outro lado, a cana será a cultura mais beneficiada, devendo ocupar o espaço da soja e dobrar sua área de plantio. Semelhante a outros estudos que comentamos aqui no blog, este da Embrapa é mais um alerta sobre os efeitos das mudanças climáticas nos negócios. Recomendamos a leitura do livro a empresas e aos bancos que as financiam no sentido de, desde já, buscarem soluções para enfrentar e minimizar os impactos das alterações do clima em suas atividades. O livro será lançado hoje, às 19h30, no Café Universitário, durante a programação da 20ª Bienal de São Paulo.

Guarda-roupa "verde"

Você pensa no meio ambiente quando compra uma roupa? Você acredita que a moda pode contribuir para a preservação da natureza? Se você ainda não se preocupa com isso, saiba que o setor têxtil está entre as que mais consome recursos naturais, como água e energia. Além disso, a cultura do algodão, um de seus principais insumos, é responsável por cerca de 30% da utilização de pesticidas no planeta. Para ilustrar o impacto da produção de algodão no meio ambiente, basta mencionar que é preciso utilizar 160g de agrotóxicos para produzir uma camiseta que pesa 250g. Portanto, a busca por matérias-primas alternativas e processos produtivos mais limpos são atualmente um dos maiores desafios do setor têxtil. A oferta de têxteis produzidos com materiais menos agressivos ao meio ambeinte é ainda limitada, devido à pequena escala de produção e fornecimento irregular de matérias-primas. Esse cenário acaba encarecendo os produtos. No exemplo da camiseta, aquela feita de algodão orgânico chega a custar até 3 vezes mais. Apesar do preço mais elevado, há um crescente número de pessoas que preferem consumir produtos que agridem menos a natureza. Algumas empresas de confecção e moda já têm procurado aumentar a oferta de produtos com esse foco. São os casos das brasileiras Osklen e Track & Field e das internacionais Levi’s, GAP e Nike. A própria rede varejista Wal-Mart no Brasil passou a vender têxteis produzidos com algodão orgânico a preços acessíveis. A questão da sustentabilidade nos setores têxtil e da moda passa pela necessidade das empresas considerarem os aspectos socioambientais, tais como o uso de materiais orgânicos e recicláveis, em toda a cadeia produtiva, desde o cultivo do algodão até o pós-venda. Quanto a todos nós consumidores, devemos procurar comprar roupas que causem menor impacto ao meio ambiente e conservá-las para que durem mais tempo. Saiba mais sobre moda sustentável e dicas de como consumir conscientemente, acessando: Instituto “e” Instituto Ecotece Environmental News Network

Bancos federais renovam seus compromissos socioambientais

Os bancos públicos federais, Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Caixa Econômica Federal, BNDES e Banco da Amazônia, irão assinar amanhã o novo Protocolo Verde, que estabelece diretrizes socioambientais na gestão de ativos e nas análises de risco de clientes e de projetos de investimento. Essa é a segunda versão do Protocolo Verde que foi inicialmente lançado em 1995. O novo Protocolo diferencia-se do anterior por estabelecer diretrizes mais objetivas dentre as quais destacamos as seguintes:

  • Oferecer condições especiais de financiamentos, como taxas, prazos e carências diferenciadas, para projetos que contemplem investimentos socioambientais.
  • Incorporar critérios socioambientais ao processo de análise e concessão de crédito para projetos de investimentos, considerando os impactos e riscos e a necessidade de medidas mitigadoras e compensatórias.
  • Efetuar a análise socioambiental de clientes cujas atividades exijam o licenciamento ambiental e/ou que representem significativos impactos sociais adversos.

Por se tratar de grandes bancos com enorme capilaridade de crédito, o novo Protocolo representa uma iniciativa importante do setor financeiro público na realização de negócios que promovam o desenvolvimento com sustentabilidade. Na nossa opinião, e como tudo indica o próprio Protocolo irá prever, é importante que haja harmonização de critérios e procedimentos na implantação de suas diretrizes pelos bancos.

Está em discussão na Febraban a possível adesão também dos bancos privados ao novo Protocolo Verde, o que seria um avanço conjunto do setor financeiro brasileiro na adoção de diretrizes socioambientais em seus negócios.

Leia mais sobre esse assunto na Gazeta Mercantil.

Acesse o novo Protocolo Verde.

Estado da Califórnia adota o primeiro código estadual de construções “verdes” nos EUA

Mais uma vez o estado da Califórnia sai na frente na preservação do maio ambiente. Sua Comissão de Padrões na Construção anunciou semana passada a adoção do primeiro código estadual de construções “verdes” nos Estados Unidos. A adoção desse código resultará na construção de novos edíficios comerciais e residenciais com maior eficiência energética e menor consumo de água. O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, anunciou também que os edifícios de órgãos públicos terão que reduzir em 20% o consumo de energia até 2015. Além disso, todas as novas construções de edifícios públicos ou reformas de edifícios existentes deverão atingir os requerimentos mínimos da certificação LEED (Leadership in Energy & Environmental Design). De acordo com o Green Building Council americano, os edifícios respondem por 70% do consumo de energia elétrica no país, 12% do consumo de água potável, 30% da geração de resíduos sólidos e pela emissão de 39% dos gases de efeito estufa. Assim, ao fixar metas de redução do uso de energia e água, o novo código de construções da Califórnia irá contribuir para atenuar as alterações climáticas decorrentes do efeito estufa. No Brasil, iniciativas semelhantes para o setor de construção foram adotadas, por exemplo, na capital de São Paulo (Lei 14.459 de 03/07/07) e no estado do Rio de Janeiro (Lei 5184 de 02/01/2008), onde é obrigatória a utilização de energia solar para aquecer uma parcela da água consumida em prédios novos. Essas iniciativas, além de economizar energia e proteger o meio ambiente, incentivam a expansão e a popularização do uso de energia solar. Leia aqui o Código de Construções do estado da Califórnia. Saiba mais sobre a certificação LEDD aqui.

Novo relatório aponta desafios para o setor florestal

Relatório divulgado no início do mês pelo World Resources Institute – WRI afirma que a indústria de produtos florestais irá enfrentar grandes desafios e oportunidades nos próximos anos em função das mudanças climáticas. Segundo esse relatório, o maior desafio para produtores de madeira, papel e outros produtos florestais será adaptarem-se à possível imposição de limites para emissões de gases do efeito estufa. Além disso, as mudanças climáticas poderão afetar mais diretamente essa indústria, alterando a produtividade florestal em algumas regiões e forçando empresas a procurarem madeira em outras áreas. O relatório complementa que custos de financiamento e de energia também poderão reduzir ainda mais a margem de lucros do setor. Por outro lado, o WRI destaca que a importante participação das florestas no ciclo do carbono proporciona uma oportunidade única para a indústria florestal oferecer uma ampla gama de produtos sustentáveis como, por exemplo, materiais de baixa emissão de carbono para a construção civil e biomassa para geração de energia. A leitura desse mais novo relatório do WRI proporciona a empresas do setor, instituições financeiras e investidores a reflexão sobre como lidar com os mais relevantes riscos e oportunidades associados à indústria de produtos florestais a partir das mudanças do clima. Confira aqui o relatório.

Banco francês inova ao avaliar impacto socioambiental indireto de seus produtos

O banco francês Caisse d’Epargne acaba de anunciar uma iniciativa pioneira no campo da sustentabilidade. Desde o mês passado está usando divulgando uma classificação de seus produtos financeiros para que seus clientes possam ser informados quanto ao impacto socioambiental que esses produtos podem causar.

A metodologia foi desenvolvida para inicialmente ser usada em produtos de investimentos. Segundo o Caisse d’Epargne, até o final de 2008 ela deve ser adaptada para outros tipos de produtos e serviços financeiros, como seguros e empréstimos.

De acordo com a metodologia, disponível na internet para que outros bancos possam também utilizá-la, os produtos são classificados em uma escala de 1 a 5 de acordo com três categorias (ilustração abaixo): seu risco financeiro; seu grau de responsabilidade social e ambiental e sua emissão direta e indireta de gases do efeito estufa.


Consideramos essa iniciativa inovadora e muito importante por não somente oferecer maior transparência aos clientes, como também por contribuir para a conscientização dos impactos socioambientais ao se consumir produtos e serviços financeiros.

Acesse aqui a metodologia

Agência lança rating inédito para projetos de crédito de carbono

Vale a pena conferir o recém-lançado serviço de rating de projetos de redução das emissões de carbono. O rating é uma novidade da empresa Carbon Ratings Agency, que irá atribuir classificação semelhante ao conhecido rating de crédito (AAA, AA, A, etc). Com a criação desse novo rating a Carbon Ratings busca soluções para os problemas hoje existentes em projetos regulados pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL do Protocolo de Quioto e em projetos desenvolvidos fora desse mecanismo: geração efetiva da quantidade de créditos previstos. A Carbon Ratings irá também considerar os benefícios econômicos e sociais que os projetos trazem, ou não.

Os idealizadores do novo rating afirmam que os projetos aptos a obter créditos de carbono valem atualmente cerca de €8,5 bilhões e poderiam atingir o valor de €100 bilhões no ano de 2020, o que contribuiria com os esforços para redução de emissões de CO2. Os investidores que acessam esse mercado procuram projetos de qualidade, que minimizem o risco de desempenho. O novo serviço de rating vai justamente nessa direção: dar maior transparência ao mercado de créditos de carbono, ajudar os investidores a diferenciar os créditos ofertados, contribuindo para que esse mercado passe a funcionar como o de outros ativos.

Ao lançar o novo serviço, a Carbon Ratings avaliou uma amostra representativa de 25 projetos elaborados dentro do MDL, inclusive no Brasil, revelando em seu relatório que poucos atingiram a classificação AA e que muitos não estão atingindo as metas de volume de créditos projetadas. Apesar de os desempenhos variarem de país para país, os projetos de energias renováveis e eficiência energética são os que apresentam melhor desempenho e os de minas de carvão o maior risco.

Leia aqui o relatório da Carbon Ratings Agency

Novo índice de ações foca oportunidades ambientais

A FTSE (Financial Times & Stock Exchange), companhia inglesa que atua na elaboração de índices de mercado, acaba de lançar um índice que mede o desempenho de companhias globais que têm forte envolvimento em negócios e tecnologias ambientais. Chamado de FTSE Environmental Opportunities All-Share Index, é composto por ações de 470 empresas, dentre as quais seis brasileiras, cujas atividades busquem soluções ambientais nos campos de energias alternativas e eficiência energética, tecnologia de água e resíduos, controle da poluição e gestão de matérias primas.

O novo índice seleciona as ações das empresas cujas vendas, investimentos e lucro líquido relativos a tecnologias ambientais superem mais de 20% o total desses parâmetros. Além disso, o Environmental Opportunities é ajustado pela liquidez das ações selecionadas. Seus destaques são os seguintes:


As 10 empresas com maior participação no índice são: Siemens, Iberdrola, Suez, ABB, United Technologies, 3M, ENEL, Emerson Eletric, Honeywell e Phillips. Consideramos seu lançamento mais uma demonstração de que os investidores, pessoas físicas e jurídicas, estão cada vez mais interessados na busca de soluções para as questões ambientais associadas aos negócios. O índice foi justamente criado pela FTSE para atender a demanda desses investidores que procuram empresas melhor preparadas para atuar num ambiente de negócios de baixa emissão de carbono, maximizar as oportunidades ambientais em seus portfólios e apoiar financeiramente o crescimento e o desenvolvimento do setor de tecnologia ambiental e de energias renováveis.

Questão da água é um desafio aos negócios

O World Business Council for Sustainable Development – WBCSB acaba de divulgar a versão em português do relatório Business in the world of water: The H2O Scenarios (As empresas no mundo da água: Cenários para 2025). O relatório apresenta três cenários a respeito do papel das empresas em relação à crescente questão da água em âmbito mundial. Por meio desses cenários, o relatório quer chamar a atenção para o valor da água, exatamente nesse momento em que o crescimento populacional e econômico está puxando a demanda de alimentos, energia, transporte, lazer e praticamente de todos os produtos de consumo diário. O relatório afirma que todos entendem que a água é essencial para a vida. Contudo, as pessoas e as organizações tendem a ignorar a questão d’água, até que ela comece a escassear, ficar poluída, passar a ter custo ou, ainda, não ser administrada. O relatório alerta para as projeções de escassez e de falta d’água, destacando o aumento de custos, que irão tornar o gerenciamento desse bem ainda mais complexo num futuro próximo. Concluindo, o estudo do WBCSD afirma que as empresas, conjuntamente com toda a sociedade, podem exercer papel ativo e responsável para assegurar o uso social, ecológico e economicamente racional de água. Exatamente nessa direção, a General Electric – GE divulgou recentemente que irá cortar em 20% seu consumo mundial de água até 2012. Essa redução deverá ser alcançada por meio de processos de reuso e de uso eficiente d’água em suas instalações comerciais e industriais. A GE informou que irá divulgar os resultados de suas iniciativas para seus clientes e também publicou um manual para ajudar seus stakeholders a aumentarem o reuso de água. O relatório do WBCSD sobre a água, o qual recomendamos a leitura, bem como outros que comentamos aqui neste blog, apontam para a necessidade das empresas levarem a questão ambiental ao centro de suas estratégias de negócios e de compartilharem suas experiências no campo da sustentabilidade com a sociedade em geral. Acesse aqui o relatório “As empresas no mundo da água: Cenários para 2025”

Febraban discute a co-responsabilidade dos bancos por danos ambientais

A Febraban realizou o seu 6º. Congresso de Direito Bancário, quando tivemos a oportunidade de participar da mesa que discutiu a responsabilidade dos bancos em danos contra o meio ambiente. Nessa mesa, o Dr. Fernando Tabet, advogado do Escritório Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados, especialista em Direito Ambiental, apresentou os fundamentos legais que podem resultar na co-responsabilização dos bancos por danos ambientais associados ao financiamento das atividades de seus clientes. Considerando-se, dentre outros preceitos legais, a Política Nacional do Meio Ambiente, que define o poluidor como “a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental”, poderiam então os bancos ser indiretamente responsabilizados por danos ambientais. Já a Lei da Biossegurança expressamente cita as instituições financeiras como possíveis co-responsáveis por eventuais impactos socioambientais negativos decorrentes de atividades que envolvem organismos geneticamente modificados (OGM). Nesse sentido, segundo informou o Dr. Tabet, já existe uma ação em tramitação na qual um banco está sendo co-responsabilizado por ter financiado uma empresa mineradora que causou um dano ambiental. A partir desses fundamentos legais apresentados, tanto nós, como também o Dr. Tabet, recomendamos aos participantes do Congresso que orientassem as áreas jurídicas dos bancos no sentido de introduzirem cláusulas nos contratos de financiamento para prevenir eventual co-responsabilização dos bancos por danos ambientais. Além disso, ressaltamos a importância da incorporação de critérios socioambientais nos processos de decisão de crédito e do monitoramento das cláusulas contratuais, como alguns bancos já fazem. Uma vez que a legislação não prevê limites, e talvez prevendo outras ações semelhantes a que está em tramitação, a Febraban está elaborando uma proposta para delimitar o alcance legal da co-responsabilidade dos bancos. Leia aqui a Lei 6.938/1981 (Política Nacional do Meio Ambiente) Lei aqui a Lei 11.105/2005 (Lei da Biossegurança)

Investidores brasileiros debatem sobre melhores práticas

No dia 15 de maio aconteceu um workshop sobre os Principles for Responsible Investment - PRI (Princípios para o Investimento Responsável), iniciativa de investidores institucionais de todas as partes do mundo em parceria com a Organização das Nações Unidas - ONU*. O PRI são um conjunto das melhores práticas sociais, ambientais e de governança corporativas globais aplicadas nas tomadas de decisões de investimentos.

Programa incentiva empresas a iniciar gerenciamento de emissões

Recentemente foi lançado por empresas nacionais o Programa Brasileiro GHG Protocol, cujo objetivo é o de desenvolver metodologia de inventário e capacitação para o gerenciamento das emissões de gases de efeito estufa. Pensamos que se trata de uma iniciativa importante para que as empresas conheçam suas próprias emissões de carbono e, nesse momento em que o aquecimento do planeta e as mudanças climáticas já começam a impactar os negócios, passem a gerenciar tais emissões. Para que o programa venha a obter resultados amplos e efetivos, consideramos que seria fundamental as empresas e as instituições financeiras gerenciarem não somente suas próprias emissões, mas também incluírem as emissões de toda a cadeia produtiva e de toda a carteira de crédito, respectivamente. Aderiram ao programa um total de 16 empresas, das quais 11 brasileiras: Banco do Brasil, Bradesco, CNEC, Copel, Grupo Abril, Natura, Nova Petroquímica, O Boticário, Petrobras, Sadia e Votorantim. Também aderiram as subsidiárias brasileiras da Alcoa, Anglo American, Arcelor Mittal, Ford e Wal-Mart. Esse programa é o resultado de uma parceria entre o Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV, Ministério do Meio Ambiente, World Resources Institute - WRI, World Business Council for Sustainable Development - WBCSD e Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável – CEBDS.

Executivos de finanças não consideram o risco climático, revela pesquisa

Acaba de ser divulgada uma pesquisa revelando que a maioria dos executivos de finanças norte-americanos não está preparada para responder aos riscos financeiros associados às mudanças climáticas. A pesquisa elaborada pela empresa de gestão de risco Storm Exchange e pela Chicago Mercantile Exchange, revela também que a grande maioria desses profissionais acredita que terão que mudar seus modelos de negócios para poder lidar com as alterações do clima e suas conseqüências. Alguns dos resultados dessa pesquisa chamam mais a nossa atenção, como por exemplo, a de que somente o setor de energia tem sistematicamente tentado mensurar os impactos do clima em suas atividades. Outro dado que nos surpreende, é o de que quase metade dos executivos pesquisados acha não ser viável a gestão do risco climático. Na nossa opinião, a pesquisa remete para a necessidade de serem desenvolvidos no mercado brasileiro produtos e serviços financeiros destinados a minimizar o impacto do clima nos negócios. A pesquisa foi realizada entre 205 profissionais de finanças de empresas médias e grandes dos Estados Unidos e do Canadá.

Questão ambiental está dentre os maiores riscos aos negócios, aponta relatório

Relatório recentemente divulgado pelas consultorias Ernst Young e Oxford Analytica classificou a questão ambiental como um dos dez maiores riscos aos negócios em escala mundial. O relatório intitulado Strategic Business Risk 2008 - the Top 10 Risks for Business analisa os riscos estratégicos de 12 dos mais importantes setores de atividades, entre os quais destaca-se: automobilístico, petróleo e gás, telecomunicações, financeiro (bancos, administradoras de recursos, seguradoras) e serviços públicos. A Ernst Young usou a expressão radical greening (esverdeamento radical) para descrever os crescentes desafios relacionados ao meio ambiente, que seriam decorrentes de um amplo espectro de pressões: desde voluntárias do mundo da responsabilidade social corporativa, até regulamentações rigorosas e necessidades econômicas. O risco do esverdeamento radical é devido a hábitos de consumo e regulamentações criadas para fazer frente às mudanças climáticas, bem como pelos eventos climáticos provocados por essas alterações na Terra. Os nove outros riscos estratégicos apontados no relatório são: 1) regulatório e de compliance; 2) crises financeiras internacionais; 3) envelhecimento da força de trabalho e dos consumidores; 4) falta de estratégia de atuação e expansão em mercados emergentes; 5) consolidação de empresas e alterações setoriais; 6) flutuações nos preços e na oferta de energia; 7) transações estratégicas (por ex. fusões e aquisições de empresas) mal concebidas e executadas; 8) elevação das taxas mundiais de inflação; 9) deixar de antecipar e atender a mudanças de hábitos dos consumidores. Esse interessante relatório, ao qual recomendamos a leitura, assim como outros recentemente lançados e comentados por nós, também identifica e alerta para a necessidade de levar a questão ambiental, especialmente as mudanças climáticas, ao centro das estratégias de negócios de empresas dos mais diversos setores da economia.

Unibanco obtém linha inédita do IFC

O Unibanco acaba de anunciar que obteve uma linha inédita de crédito da IFC para financiar projetos nas áreas de energia renovável, eficiência energética e construção sustentável (edificações "verdes"). É o primeiro empréstimo da IFC com esse foco para um banco brasileiro. Segundo a IFC, o pioneirismo foi um dos fatores principais para a escolha do banco. O Unibanco foi a primeira instituição financeira de países emergentes a aderir aos Princípios do Equador, em junho de 2004.

Diversidade mobiliza os bancos

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) lançou essa semana o Programa de Valorização da Diversidade no Setor Bancário. Essa iniciativa objetiva promover a eqüidade e igualdade de oportunidades para todas as pessoas. O início do projeto se dará através da realização de uma pesquisa entre os funcionários de 16 bancos para analisar três aspectos: gênero, etnia e deficiências. A expectativa da Federação é inspirar iniciativas semelhantes em outros setores da economia. "Só o sistema financeiro é pouco, mas, se cada um cuidar do seu redor, podemos mudar muito", afirmou o presidente da Febraban, Fábio Barbosa. A diretora da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, Laís Wender Abramo, destacou a iniciativa como pioneira e ambiciosa: "Não temos conhecimento de iniciativa voluntária como essa em nenhuma outra federação da importância da Febraban". Consideramos o programa da Febraban um importante começo no sentido de promover a igualdade de oportunidades no mercado de trabalho. Seria importante então que em suas próximas etapas fossem também analisadas questões como idade, homossexualidade e HIV positivo, que estão fora da pesquisa inicial. O setor financeiro exerce papel fundamental na economia, mas emprega apenas 2% de toda a força de trabalho do País. Assim, a partir dessa iniciativa da Febraban, entendemos que seria importante que os bancos passassem a incluir aspectos de diversidade em seu relacionamento com clientes e fornecedores. Responda a nossa enquete sobre diversidade na coluna ao lado.

Banco da Amazônia impõe maior rigor na concessão de crédito

O Banco da Amazônia (BASA) acaba de divulgar novas diretrizes da sua política socioambiental, tornando mais rigorosos os financiamentos para os setores de soja, pecuária de corte e ferro-gusa. Todas as propostas de financiamento desses setores serão pré-avaliadas nas próprias agências do banco e classificadas segundo seu risco socioambiental. Num primeiro momento o banco dará prioridade às médias e grandes empresas e aos médios e grandes produtores. Os projetos serão classificados como de alto risco – A, de risco médio – B ou de baixo risco – C. Suas novas diretrizes visam promover projetos que sejam exemplares em termos socioambientais e induzir os clientes a adotarem práticas sustentáveis. Haverá restrição de financiamento para atividades que acarretam graves danos ambientais, como a construção de alto-fornos para produção de ferro gusa. Será aplicado um questionário socioambiental no momento da elaboração ou atualização do cadastro dos clientes para avaliação do risco socioambiental. A iniciativa do BASA de aprimoramento de suas práticas socioambientais é um exemplo interessante de como o setor financeiro pode contribuir na redução do desmatamento na região Amazônica, que é a principal fonte de emissão de gases do efeito estufa no Brasil.

Conheça o caso de sustentabilidade do banco Triodos

O livro que lançamos no dia 24 de março apresenta as práticas adotadas pelo banco holandês Triodos, que identificamos como o banco que mais efetivamente incorpora a sustentabilidade em sua missão e estratégia de negócios.

As práticas do Triodos são apresentadas em paralelo às recomendações do manual “O que fazer e não fazer em um banco sustentável” (“The do’s and don’ts of Sustainable Banking) da rede BankTrack.

Ao apresentar o case dessa instituição financeira, esperamos contribuir para disseminar e estimular a utilização das melhores práticas de sustentabilidade no setor financeiro brasileiro.

Caso você se interesse em adquirir o livro, clique aqui.


Veja as fotos da noite de autógrafos do livro na Livraria da Vila, Al. Lorena, em 24/03/2008. Clique aqui.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES patrocina a publicação deste livro.


A Iniciativa Verde neutralizou as emissões de carbono decorrentes da publicação do livro.

Empresas já avaliam riscos dos ecossistemas em seus negócios

O World Resources Institute (WRI) em colaboração com o Meridian Institute e o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) acabam de anunciar o lançamento de um guia intitulado “Corporate Ecosystem Services Review”. Esse guia foi elaborado com o objetivo de orientar as empresas a desenvolver estratégias para gerenciar os riscos e as oportunidades decorrentes da degradação dos ecossistemas. As empresas Akzo Nobel, BC Hydro, Mondi, Rio Tinto e Syngenta testaram a metodologia e contribuíram para a elaboração do guia. Os ecossistemas prestam um grande número de benefícios e de serviços para as empresas, incluindo água, madeira, polinização, equilíbrio climático e proteção contra desastres naturais. Entretanto, devido às mudanças climáticas, conversão do uso da terra e muitos outros fatores, os ecossistemas estão sob enorme pressão, segundo afirmou o presidente do WRI, Jonathan Lash. À medida que o meio ambiente se degrada, as empresas passarão a enfrentar riscos operacionais, regulatórios e reputacionais. Aquelas que oferecerem soluções para esses riscos poderão usufruir novas oportunidades de negócios e novas fontes de receitas. Consideramos o lançamento do guia uma ferramenta útil para as empresas poderem criar novos mercados e se anteciparem a políticas governamentais que surgem em resposta à degradação dos ecossistemas. O guia também contribui para que as empresas aprimorem a avaliação dos seus impactos ambientais e melhor administrem o uso de recursos naturais.

Questão da água traz riscos e oportunidades

A produtora de alumínio Alcan divulgou o resultado do projeto que implantou para redução do consumo de água em sua fábrica localizada nos Alpes franceses. O consumo d’água dessa fábrica tornou-se um fator de preocupação, dado o possível estabelecimento de regulamentação impondo limites ao uso industrial desse importante insumo. Outra preocupação era a de cobrança pelo uso d’água, que viria a prejudicar a lucratividade daquela fábrica. Antecipando-se a essas possíveis situações, a Alcan lançou um projeto para reduzir o uso e aperfeiçoar a estação de tratamento de água e adotar métodos mais eficientes de produção. Com a colaboração da agência governamental de águas, o projeto teve início pela conscientização dos funcionários da empresa sobre a importância e o desafio associados ao uso e à qualidade d’água na região dos Alpes. Com investimento mínimo, foi feito um mapeamento e, posteriormente, realizado investimento para modernizar e reprogramar o fluxo d’água do processo de produção. O consumo d’água da fábrica caiu de 350 mil m³/ano para 173 mil m³/ano, respectivamente, em 2005 e 2007. A Alcan já identificou novos processos de fabricação que irão reduzir ainda mais o uso d’água. Consideramos esse projeto um exemplo interessante de como a empresa soube transformar possíveis ameaças em redução de custos e da sua “pegada” ecológica, gerando valor para a empresa. A Alcan declarou ainda que passou a ser melhor percebida pela comunidade local.

CMN incluiu bancos privados em regras contra o desmatamento

O Conselho Monetário Nacional (CMN) acaba de editar a Resolução 3545, determinando que os bancos públicos e privados que operam com crédito rural passem a exigir dos grandes produtores e dos agricultores dos assentamentos rurais na região Amazônica documento que comprove a regularidade ambiental. As medidas valem para as propriedades que estejam em área de floresta - bioma Amazônia. Serão obrigatórias a partir de 1º de julho. Em 1º de maio, as medidas já serão implementadas em caráter facultativo para que os bancos e os produtores se adaptem às novas regras. Por meio dessa nova resolução, o CMN passa a incluir critérios ambientais para contratação de empréstimos rurais, aumentando o rigor na liberação de recursos para produtores que desmatam ilegalmente a floresta Amazônica. Essa decisão do governo federal faz parte de um conjunto de ações para colocar em prática o Decreto 6.231, de 21/12/2007, que estabelece medidas para prevenir, monitorar e controlar o desmatamento na região. Dentre essas medidas destaca-se a de atualização permanente da lista dos municípios com maior incidência de desmatamento (ver post Fazendeiro que desmata a Amazônia não terá crédito dos bancos federais).

BNDES lança fundo inédito para projetos ambientais

O BNDES acaba de anunciar o lançamento do primeiro fundo de investimento em participações do Brasil voltado exclusivamente para projetos ambientais no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) previsto no Protocolo de Kyoto. A estimativa do BNDES é de que o patrimônio do Fundo Brasil Sustentabilidade (FBS) ficará entre R$ 250 milhões a R$ 400 milhões, sendo que a BNDES Participações - BNDESPAR, subsidiária do banco, participará com R$ 100 milhões. O fundo tem prazo de duração de oito anos, prorrogável por até dois anos. O período de investimento é de quatro anos, podendo ser estendido por até um ano. A política de investimento do FBS terá como foco empresas com atividades associadas a projetos com potencial de reduzir a emissão de gases do efeito estufa e gerar créditos de carbono, conforme previsto no mecanismo do Protocolo de Kyoto. O fundo tem a sua taxa de performance vinculada ao sucesso da empresa apoiada obter créditos de carbono. Consideramos o lançamento desse novo fundo do BNDES uma iniciativa relevante no sentido de introduzir a variável ambiental na indústria brasileira de fundos e contribuir para aumentar a conscientização dos investidores sobre as questões ambientais.

Investidores lançam plano de ação para riscos climáticos

Reunidos a semana passada em um encontro na Organização das Nações Unidas, cerca de 50 investidores institucionais, que administram US$ 1,75 trilhões, acabam de assinar um plano de ação para riscos climáticos, com a promessa de investir US$ 10 bilhões em tecnologias “limpas” nos próximos dois anos. No encontro os signatários do plano solicitaram que todas as empresas administradoras de recursos considerem os riscos e as oportunidades decorrentes das mudanças climáticas em suas decisões de investimentos, utilizando para tanto critérios de sustentabilidade ou de riscos climáticos. As instituições signatárias do plano decidiram estabelecer a meta de reduzir o consumo de energia de seus ativos imobiliários em 20% nos próximos três anos e incorporar critérios ambientais nas decisões de investimento nesse segmento de negócio. O plano de ação estabelece que seus signatários comprometem-se a: - Pressionar as empresas onde investem divulguem informações sobre os riscos financeiros associados às mudanças do clima; - Encorajar analistas de investimento, agências de rating e bancos de investimento a considerar os custos de emissão de carbono (estimados pelos signatários entre US$ 20 e US$ 40 por tonelada de dióxido de carbono equivalente); - Pressionar a comissão de valores mobiliários e o congresso americanos a exigir que as companhias divulguem informações sobre os riscos climáticos como parte dos documentos obrigatórios; e - Buscar o estabelecimento de uma política nacional para reduzir as emissões de gases do efeito estufa nos Estados Unidos e apoiar um acordo pós Protocolo de Kyoto.

Consideramos essa mais uma iniciativa importante do setor financeiro norte-americano no sentido de incorporar a variável climática nos negócios. Essa iniciativa serve de exemplo para que também no Brasil seja regulamentada a divulgação pública de informações a respeito dos impactos das mudanças do clima nas atividades das empresas, o que resultaria em maior transparência para a tomada de decisão de investimentos. Veja outras iniciativas semelhantes em nossos posts anteriores: Mudanças climáticas faz bancos adotarem regras para avaliação de riscos Website apresenta riscos e oportunidades das mudanças climáticas aos negócios CERES aponta que clima é o risco mais desprezado pelos bancos Novos relatórios alertam investidores para riscos e oportunidades das mudanças climáticas Mudanças climáticas: governos e investidores americanos pressionam a SEC

BNDES impõe condições sociais em contratos de financiamentos

O BNDES acaba de anunciar que adotará em todos os seus contratos de financiamento condicionantes sociais, que incluem o combate ao trabalho escravo e infantil. Questões sociais como essa já faziam parte da análise das empresas que buscavam apoio financeiro do banco, mas agora passam a integrar os contratos e poderão resultar em suspensão ou vencimento antecipado dos empréstimos. Essa iniciativa nos mostra que o cumprimento dos direitos sociais passa a ser questão fundamental no processo de concessão de crédito, com a mesma relevância das exigências econômico-financeiras, podendo o BNDES agilizar e coibir más práticas de gestão social dos clientes financiados. O BNDES também anunciou que passará a disponibilizar em seu site informações sobre as 50 maiores operações de financiamento direto com empresas de cada área do Banco, contratadas nos últimos 12 meses e atualizadas mensalmente. Essa inciativa, denominada de Janela da Transparência, busca dar maior transparência e aumento do controle social das atividades do banco. As informações agora disponibilizadas apresentam as características de cada contrato, valores envolvidos e objetivos de cada operação. A inclusão de condicionantes socioambientais pelo setor financeiro é mais um instrumento que contribui para disseminar melhores práticas de gestão socioambiental pelas empresas. Dado que o BNDES é o maior financiador de projetos no Brasil, acreditamos que essa sua iniciativa poderá ter um grande alcance.

Mudanças climáticas faz bancos adotarem regras para avaliação de riscos

No inicio de fevereiro três das maiores instituições financeiras internacionais, Citibank, JPMorgan Chase e Morgan Stanley anunciaram o lançamento do The Carbon Principles (Princípios do Carbono), que são diretrizes para aprimorar o gerenciamento dos riscos socioambientais e econômicos decorrentes das mudanças climáticas no financiamento e implantação de projetos de geração de energia nos Estados Unidos. Segundo esses bancos, os princípios são o resultado de um intenso processo de nove meses, que incluiu consulta às principais empresas do setor e organizações ambientalistas, para desenvolver formas de como avaliar os riscos associados à emissão de gases do efeito estufa relativos a projetos do setor de energia. Afirmaram também que a necessidade de criá-los é função dos riscos que o setor americano de energia enfrenta pelas incertezas quanto às políticas públicas para mudanças climáticas. Consideramos a criação dos Princípios do Carbono mais um avanço do setor financeiro na criação de mecanismos para melhor lidar com os riscos socioambientais, nesse caso associados às mudanças do clima. A exemplo dos Princípios do Equador, conjunto de critérios socioambientais no financiamento de operações de project finance, essa iniciativa é voluntária e poderá ser adotada por outras instituições financeiras. Os princípios envolvem diretrizes para o financiamento de projetos de eficiência energética, de energias renováveis e tecnologias de baixa emissão de gases do efeito estufa, bem como para projetos de geração de energia a carvão, gás ou nuclear para complementar a oferta de energia no mercado. Veja o The Carbon Principles Acesse aqui os critérios para o processo de due diligence Acesse aqui o press release do lançamento do The Carbon Principles

Website apresenta riscos e oportunidades das mudanças climáticas aos negócios

Recentemente, a Iniciativa Global de Gerenciamento Ambiental (Global Environmental Management Initiative - GEMI) lançou o site Business & Climate Change, que objetiva divulgar informações relevantes para que empresas entendam os riscos e oportunidades associados às mudanças climáticas em seus negócios e como elas podem criar e implementar estratégias para reduzir suas emissões de gases do efeito estufa. Com o intuito de apresentar ações e resultados práticos, o site inclui também a descrição de estudos de casos e melhores práticas de diversas empresas. Entendemos essa como mais uma interessante iniciativa na direção da difusão de boas práticas de gestão socioambiental e de como a partir dos impactos das mudanças do clima as empresas podem ampliar seus mercados. Fundada em 1990, a GEMI é uma instituição sem fins lucrativos formada por 40 empresas dedicadas a compartilhar práticas e informações voltadas a melhorar o desempenho ambiental e a governança.

Política da Vale provoca mudanças na gestão ambiental de guseiras

A Companhia Siderúrgica do Pará (Cosipar), que produz ferro-gusa a base de carvão vegetal, acaba de fechar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), onde se compromete a reflorestar 32 mil hectares com árvores de espécies nativas. A Cosipar é a primeira empresa guseira do estado do Pará processada por crime ambiental a fechar esse tipo de acordo. O passivo ambiental da empresa é devido à falta de comprovação da origem do carvão vegetal usado na produção de ferro-gusa, indicando que esse produto foi obtido como desmatamento da floresta Amazônica. A Cosipar informou que precisava fechar o acordo com o Ibama para que a companhia Vale voltasse a lhe fornecer minério de ferro, matéria-prima para a produção de ferro-gusa. Em outubro de 2007 a Vale, em linha com suas práticas de gestão socioambiental, deixou de fornecer minério de ferro para diversas guseiras do Pará e do Maranhão que estavam em situação ilegal. A Vale informou que irá esperar uma posição oficial do Ibama para avaliar a possibilidade de retomar o suprimento de minério de ferro para a Cosipar. O Ibama espera fechar acordos com as demais empresas guseiras, o que irá permitir reflorestar entre 50 mil e 80 mil hectares com mata nativa no Pará. Consideramos o acordo fechado entre a Cosipar e o Ibama um exemplo evidente de como o uso de boas práticas de gestão socioambiental pelas empresas repercute favoravelmente em toda a cadeia produtiva, contribuindo para minimizar os impactos no meio ambiente.

Fazendeiro que desmata a Amazônia não terá crédito dos bancos federais

O Governo acaba de anunciar a proibição dos bancos federais financiarem máquinas e plantio agrícola das propriedades que tenham desmatado ilegalmente a floresta amazônica. Além disso, as fazendas envolvidas nesse tipo de crime ambiental serão bloqueadas. Essas medidas foram agora adotadas pelo Governo para tentar combater o desmatamento da Amazônia que, segundo os últimos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), voltou a crescer no período de agosto a dezembro de 2007. Ao anunciar essa proibição, o Ministério do Meio Ambiente divulgou uma lista de 36 municípios com maior índice de desmatamento: 19 em Mato Grosso, 12 no Pará, 4 em Rondônia e 1 no Amazonas. A lista completa desses municípios pode ser acessada aqui. O corte de crédito para quem desmata é uma medida há muito aguardada que, dependendo da qualidade do monitoramento do Governo, entendemos que poderá contribuir para reduzir a derrubada da floresta. Essa medida resgata também os compromissos assumidos pelos bancos federais em 1995, o Protocolo Verde. Seria importante que, a exemplo de quem explora trabalho escravo, que o Governo passasse a divulgar uma “lista suja” de desmatamento. Isso ajudaria os bancos, e não somente os estatais, a deixar de emprestar para quem derruba a floresta. Relevante seria também que a suspensão de crédito fosse estendido para quem desmata outras áreas de proteção florestal, como a Mata Atlântica e o Cerrado.

CERES aponta que clima é o risco mais desprezado pelos bancos

A rede norte-americana formada por investidores e organizações ambientalistas – CERES – acaba de divulgar seu mais novo relatório intitulado “Corporate Governance and Climate Change: The Banking Sector”. O relatório da CERES analisou 40 dos maiores bancos de capital aberto do mundo, incluindo o Banco do Brasil (único banco brasileiro analisado), e apresentou uma lista das “melhores práticas” utilizadas pelos bancos para lidar com as mudanças do clima e os classificou de acordo com esse critério. Nesse documento, a CERES, cujos membros conjuntamente administram recursos superiores a US$ 4 trilhões, recomenda que os bancos incorporem as mudanças climáticas como prioridade em suas estratégias de governança empresarial e dêem maior abertura de informações sobre os riscos associados à essa questão. O relatório também sugere que os bancos estabeleçam metas próprias de redução dos gases do efeito estufa, assim como de suas carteiras de clientes e de investimentos. O relatório aponta que vários bancos, especialmente os europeus, estão respondendo aos impactos das mudanças climáticas. Afirma também que muitas das iniciativas positivas adotadas pelos bancos foram desenvolvidas nos últimos 12 a 18 meses, principalmente com relação ao financiamento e pesquisa para o desenvolvimento de energias limpas. Recomendamos a leitura desse relatório da CERES.

Trabalho escravo tem monitoramento facilitado

A ONG Reporter Brasil passou a divulgar semanalmente a newsletter "Notícias do Pacto contra a Escravidão". A Reporter Brasil, juntamente com o Instituto Ethos e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), liderou o lançamento do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo em maio de 2005.

Essa newsletter reproduz a "lista suja" de pessoas envolvidas com trabalho escravo do Minstério do Trabalho e Emprego (MTE) com a vantagem de apresentar quais dessas envolvidas deixaram a lista por liminar. Além disso, possue um mecanismo de busca que facilita o monitoramento pelo setor empresarial que não quer se relacionar com fornecedores ou clientes que exploram a mão-de-obra escrava. Nesse sentido, recomendamos a assinatura da newsletter da Reporter Brasil. Clique aqui para assiná-la.

Para saber mais sobre o Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, clique aqui.

Novos relatórios alertam investidores para riscos e oportunidades das mudanças climáticas

Bancos de investimento, institutos de pesquisa, ONGs e a prefeitura da cidade de Londres uniram-se para lançar no final de 2007 uma coletânea de análises de investimento destinada a orientar investidores institucionais a respeito dos riscos e das oportunidades de negócios decorrentes das mudanças do clima. A coletânea, que foi preparada pela London Accord, reúne 25 relatórios sobre diversos temas, incluindo mercados de carbono, energias renováveis e florestas, que podem ser gratuitamente acessados (www.london-accord.co.uk/final_report/index.htm). O documento destaca, dentre outros pontos, que os investimentos em energia estão se tornando mais arriscados, devido a grande incerteza sobre os avanços tecnológicos, a maior volatilidade dos preços do petróleo e do gás e a incerteza sobre a precificação dos créditos de carbono. Em novembro de 2007 o instituto de pesquisa Forum for the Future divulgou o relatório “Investments to combat climate change – exploring the sustainable solutions” (Investimentos para combater a mudança climática – explorando soluções sustentáveis). Esse documento mapeia os potenciais impactos e benefícios das soluções tecnológicas para as mudanças do clima, alertando os investidores sobre os efeitos decorrentes dos investimentos “verdes” em tecnologias como, por exemplo, dos biocombustíveis, que estariam contribuindo para a elevação dos preços dos alimentos. O relatório recomenda que os investidores analisem os projetos de investimentos sob a ótica da sustentabilidade, levando em consideração os impactos sobre a disponibilidade de capital humano, social, financeiro, produtivo e natural. Segundo o relatório, o projeto pode resultar em fracasso financeiro e ambiental quando tais impactos não são considerados. Dada a relevância da questão da mudança do clima nos negócios, entendemos que a coletânea do London Accord e o relatório do Forum for the Future são guias úteis para orientação dos investidores. Recomendamos a leitura desses documentos.