Negócios Sustentáveis
Victorio Mattarozzi escreve sobre sustentabilidade nos negócios
12 de julho de 2026
14 de janeiro de 2026
Do Confronto Geoeconômico ao Colapso Ambiental: o Mapa dos Riscos Globais
O World Economic Forum (WEF) lançou o Global Risks Report 2026 (21ª edição), que apresenta uma leitura estratégica dos riscos com potencial de gerar impactos sistêmicos sobre a economia global, sociedades e recursos naturais. O relatório tem como base o Global Risks Perception Survey, com contribuições de mais de 1.300 especialistas globais de governos, empresas, academia, organizações internacionais e sociedade civil, que avaliaram 33 riscos globais em horizontes de curto e longo prazo.
A edição de 2026 descreve o cenário internacional como uma “Era
de Competição”, marcada pelo enfraquecimento do multilateralismo, maior
rivalidade entre potências e uso crescente de instrumentos econômicos e
tecnológicos como ferramentas estratégicas. O ambiente é caracterizado por
elevada incerteza e maior risco de crises interconectadas.
No curto prazo (2026–2028), predominam riscos geopolíticos e
sociais. O principal risco apontado para 2026 é o confronto geoeconômico,
associado ao aumento de sanções, tarifas e restrições a capitais, tecnologia e
comércio. Em seguida, destacam-se os conflitos armados entre Estados,
reforçando um cenário de instabilidade e tensões com potencial de escalada.
No longo prazo (até 2036), o relatório indica que os riscos
ambientais voltam a ocupar o centro do debate global. Entre os mais críticos
estão eventos climáticos extremos, perda de biodiversidade e colapso de
ecossistemas e mudanças críticas nos sistemas terrestres, evidenciando que a
degradação ambiental tende a se intensificar.
Em relação ao relatório de 2025, a edição de 2026 confirma a
ascensão do confronto geoeconômico como principal preocupação no curto prazo,
refletindo um mundo mais fragmentado e competitivo. Observa-se ainda uma
redução relativa da prioridade ambiental no curto prazo, influenciada por
crises imediatas, embora os riscos ambientais continuem dominantes no longo
prazo. O relatório também reforça a centralidade da governança da inteligência
artificial, devido ao seu potencial impacto sobre mercados de trabalho,
confiança social e segurança.
Em síntese, o relatório aponta um mundo mais competitivo,
menos coordenado e com riscos crescentemente interdependentes. A capacidade de antecipação,
governança e cooperação será determinante para reduzir vulnerabilidades e
ampliar a resiliência global.
7 de setembro de 2025
Banco Central conduz pesquisas sobre riscos climáticos extremos
Recentemente o Banco Central do Brasil (Bacen) divulgou o volume 5 do Relatório de Riscos e Oportunidades Sociais, Ambientais e Climáticos. A respeito desse Relatório, destacamos os estudos que o Bacen tem desenvolvido voltados à análise de riscos climáticos e seus impactos sobre a economia e o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Esses estudos abrangem tanto os efeitos de eventos climáticos extremos quanto os riscos associados à transição para uma economia de baixo carbono.
Um dos estudos busca entender como geadas extremas afetam o
fluxo financeiro de empresas e a estrutura da cadeia produtiva em localidades
afetadas por esse tipo de evento climático. O objetivo é compreender como
eventos climáticos específicos afetam a produção agrícola, os rendimentos e,
consequentemente, a estabilidade financeira no local onde eles ocorrem.
Complementarmente, um outro estudo analisa os efeitos decorrentes
de situações climáticas extremas como, por exemplo, enchentes e secas,
investigando como a economia e o setor financeiro se adaptam a esses eventos. A
pesquisa considera impactos sobre as cadeias de suprimento, atividades
produtivas e instituições financeiras, permitindo o desenvolvimento de
estratégias de mitigação e adaptação que fortaleçam a resiliência econômica.
Por fim, o Bacen pesquisa os riscos climáticos de transição com
foco nos desafios associados à adaptação do SFN às mudanças regulatórias e à
transição para uma economia de baixo carbono. Esse terceiro estudo avalia os potenciais
impactos sobre as instituições financeiras, considerando a necessidade de
ajustes nos modelos de negócios e na alocação de recursos, contribuindo para a
gestão integrada dos riscos sociais, ambientais e climáticos.
Em conjunto, esses estudos visam a reforçar o compromisso do
Bacen em promover um sistema financeiro resiliente, capaz de enfrentar eventos
climáticos adversos e apoiar a transição sustentável da economia brasileira,
fornecendo subsídios para políticas públicas e decisões estratégicas.
26 de agosto de 2025
Iniciativa promove compensação responsável de emissões de GEE
No último dia 21/08 participei do evento “Créditos de Carbono com Propósito", que foi promovido por Trench Rossi Watanabe Advogados e Instituto Ekos Brasil. Nessa ocasião houve a apresentação do Programa Compromisso com o Clima, cujo objetivo é o de conectar empresas interessadas na compensação responsável de suas emissões de Gases de Efeito Estufa a projetos que geram benefícios sociais e ambientais no longo prazo.
Ao participar desse Programa as empresas têm acesso a
projetos que são selecionados a partir de um processo estruturado. A
integridade dos projetos passa por uma criteriosa avaliação que considera: a análise
dos impactos e dos riscos sociais e ambientais; os aspectos jurídicos e de governança;
a aderência aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável; e por princípios
internacionalmente reconhecidos tais como o The Integrity Council for the
Voluntary Carbon Market (ICVCM).
No âmbito do Programa Compromisso com o Clima os bancos
possuem um papel relevante: transformar os créditos de carbono em ativo
financeiro e viabilizar o acesso das empresas a linhas de financiamento voltadas
ao desenvolvimento sustentável.
Para saber mais sobre o Programa Compromisso com o Clima acesse:
1 de maio de 2025
IFC inicia processo para aprimorar suas Diretrizes de Sustentabilidade
A International Finance Corporation – IFC, subsidiária do
Banco Mundial para o setor privado, iniciou o processo para atualizar seu
arcabouço de Diretrizes de Sustentabilidade, que incluem os oito Padrões de
Desempenho sobre Sustentabilidade Socioambiental - PD.
A atualização das Diretrizes de Sustentabilidade oferece uma
oportunidade para a IFC desenvolver e adotar um conjunto de políticas
ambientais e sociais que reflita uma abordagem adequada às suas decisões de
financiamento de projetos do setor privado, e que possa abordar os complexos riscos
ambientais e sociais emergentes dos quais se destacam as mudanças climáticas e
a perda de biodiversidade.
Os PD da IFC são uma consagrada referência global para a identificação,
avaliação e gestão de riscos ambientais e sociais utilizados no financiamento
de projetos em mercados emergentes e economias em desenvolvimento, incluindo o
Brasil. Os PD são também utilizados pelo setor financeiro mundial no âmbito dos
Princípios do Equador.
Com base na experiência de uso das Diretrizes de
Sustentabilidade, cuja versão atual é de 2012, a IFC reconhece ser necessário
trazer maior clareza e modernizar certos requisitos dos PD. A IFC espera que o
processo de atualização de suas Diretrizes de Sustentabilidade:
- Incorpore as lições aprendidas desde 2012 com especialistas, profissionais, clientes e outras partes interessadas relevantes da área socioambiental;
- Reflita uma revisão técnica aprofundada para modernizar a linguagem dos PD;
- Esclareça a interação entre os PD e as leis nacionais aplicáveis a cada projeto a ser financiado;
- Harmonize as Diretrizes de Sustentabilidade com os padrões mais recentes utilizados por outras instituições financeiras de desenvolvimento econômico e social em questões temáticas como reassentamento de pessoas, biodiversidade, grupos vulneráveis, povos indígenas, gênero e condições de trabalho.
A IFC realizará o processo de atualização de suas Diretrizes
de Sustentabilidade em duas fases:
Fase I: Fase de Diálogo (duração de 9 a 12 meses, com
conclusão prevista entre janeiro e março de 2026). Nessa fase a IFC realizará
uma análise de seus 12 anos de experiência na implantação das Diretrizes de
Sustentabilidade, incluindo os temas e áreas nos quais os seus clientes enfrentam
dificuldades para atender aos requisitos dos PD.
Fase II: Fase de Consulta Pública (prevista para abril de
2026 a março de 2028). Essa fase será a base para a elaboração das Diretrizes
de Sustentabilidade atualizadas, na qual a IFC espera contar com a relevante participação
das partes interessadas.
Considerando os riscos ambientais e sociais emergentes e o cada vez mais complexo ambiente de negócios global, é oportuna a decisão de a IFC promover o aprimoramento de suas Diretrizes de Sustentabilidade. Esperemos que ao final do processo os clientes da IFC ganhem agilidade e possam implantar sólidos planos de ação e, dessa forma, mais eficientemente gerir seus projetos do ponto de vista dos riscos socioambientais.
23 de novembro de 2024
Banco Central simula impacto da taxação de carbono em ativos dos bancos
O Banco Central do Brasil (BC) acaba de divulgar o novo Relatório de Estabilidade Financeira (REF). Esse relatório é uma publicação semestral do BC que apresenta o panorama da evolução recente e as perspectivas para a estabilidade financeira no Brasil, com foco nos principais riscos e na resiliência do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Desse REF destacamos o capítulo no qual o BC apresenta o
resultado da simulação de implantação de taxa de carbono para fazer face ao
risco climático (risco de transição decorrente de alteração regulatória). O BC
simulou dois cenários de elevação gradual dos custos das emissões para todos os
setores da economia, iniciando em 2025 e atingindo os valores de USD$ 50
(Cenário de Transição 1) e USD $100 (Cenário de Transição 2) por tonelada emitida
em 2030. Entre os setores que mais emitem Gases de Efeito Estufa, as Instituições
Financeiras (IF) estão mais expostas aos setores agropecuário, indústrias de
transformação e transportes.
Segundo a referida simulação, o impacto no capital das IF seria
limitado, em razão da exposição moderada que elas possuem nos setores mais
afetados pela taxação do carbono. As perdas para as IF ficariam concentradas, principalmente,
nos setores de indústrias de transformação, construção e transportes devido ao
aumento dos ativos problemáticos desses setores. Os setores agropecuário e de
transportes apresentam as maiores reduções no valor adicionado quando comparado
ao cenário sem imposição da taxa de carbono. Contudo, a elevada exposição das
IF ao setor agropecuário não se traduz em impactos equivalentes, por exibir
menor proporção de ativos problemáticos quando comparado aos demais setores
econômicos.
Será interessante acompanhar os próximos resultados dessa
simulação do BC, sobretudo em relação ao setor agropecuário que vem sendo alvo
de restrições comerciais internacionais como, por exemplo, a recentemente
anunciada por redes varejistas francesas de não comprar carne produzida no
Brasil.
Confira aqui em detalhes os critérios e resultados da
simulação de implantação de taxa de carbono.
31 de agosto de 2024
Banco Central enfatiza a gestão do risco climático no setor financeiro
O Banco Central (BC) acaba de divulgar a quarta edição do Relatório de Riscos e Oportunidades Sociais, Ambientais e Climáticos (RIS) de 2024. Vale mencionar aqui alguns de seus destaques.
No capítulo 1 do RIS, que trata da Governança, o BC apresenta
a matriz de riscos estratégicos de 2024 referente ao objetivo de “promover
finanças sustentáveis e contribuir para redução de riscos socioambientais e
climáticos na economia e no Sistema Financeiro Nacional (SFN). Quanto a esse
objetivo o BC identifica a possibilidade de perturbações à estabilidade do SFN decorrentes
da ocorrência de eventos climáticos, ambientais e sociais, que têm se tornado
mais frequentes e severos. Cita as enchentes que ocorreram em 2023 e 2024 no Rio
Grande do Sul, que podem impactar a
estabilidade econômica local e, no limite, podendo contaminar o SFN. O
monitoramento da saúde financeira de cooperativas de crédito e a atuação das
esferas de governo no enfrentamento de catástrofes são ações mitigadoras desse
risco.
No capítulo 2 do RIS, intitulado Planeta, o BC apresenta
estudos e análises sobre possíveis impactos dos riscos sociais, ambientais e
climático na política monetária e no SFN. Entre esses estudos, o BC salienta as
consequências econômicas e financeiras do desastre de Mariana com foco na
questão da disponibilidade de água limpa. O estudo procurou quantificar as
externalidades negativas da contaminação da água do Rio Doce. Essa contaminação
levou, primeiramente, à queda da produção e, depois, do consumo, com efeitos
reais na produção agrícola e de serviços dos municípios afetados, causando uma
queda de 7% no PIB local. Em suma, ficou evidente o declínio do consumo e a
destruição da riqueza com efeitos consideráveis no PIB dos municípios
litorâneos afetados mais dependentes da agricultura.
No RIS, o BC reconhece que os eventos climáticos extremos
têm o potencial de afetar a estabilidade financeira. Nesse sentido tem procurado
avançar na adoção de ações para mitigar os riscos climáticos, como, por
exemplo, georreferenciar exposições de crédito das instituições financeiras ao
risco climático físico. Além disso, no próximo ano, o BC pretende reavaliar as
estimativas de impacto da materialização dos riscos físicos de secas e chuvas
intensas sobre essas instituições, realizadas em 2023 e 2024, agregando novas
metodologias e cenários que estão sendo desenvolvidos no âmbito da Network for
Greening the Financial System (NGFS), da qual faz parte.
Além da maior frequência e agravamento dos eventos climáticos, o BC tem um outro importante motivo para avançar em relação ao aprimoramento da gestão e do monitoramento dos riscos climáticos no SFN. A pesquisa apresentada no Relatório de Estabilidade Financeira (REF), que o BC divulgou no último mês de abril, revelou que apenas 42% das instituições financeiras afirmaram que os riscos climáticos de transição fazem parte de seu gerenciamento de risco. E apenas 19% fazem avaliações desses riscos para um horizonte de longo prazo.
