Negócios Sustentáveis

Governo de S.Paulo inicia planejamento ambiental estratégico

O Governo do Estado de São Paulo lançou o Projeto Estratégico “Cenários Ambientais 2020”, que é um dos 21 projetos estratégicos da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e tem por objetivo elaborar propostas de políticas públicas de médio e longo prazo a partir de cenários ambientais prospectivos para o ano de 2020. Cenários Ambientais 2020 é, portanto, um projeto de planejamento que busca inserir a dimensão ambiental nas ações do governo e da iniciativa privada, visando a direcionar a trajetória ambiental de São Paulo pela melhor rota possível. O projeto Cenários Ambientais 2020 produzirá duas publicações: a primeira contendo um diagnóstico do Estado, considerando os principais indicadores de pressão ambiental como, por exemplo, demografia, economia, transporte e energia, além de indicadores de qualidade da água, solo e ar. A segunda publicação apresentará os cenários ambientais prospectados, bem como as propostas de políticas públicas a partir dos mesmos. Os cenários serão construídos por meio de uma consulta virtual aberta, possibilitando a participação de todos sobre 28 temas estratégicos, dentre os quais destacamos: mudanças climáticas, critérios socioambientais de consumo e transporte urbano. Saiba mais sobre o projeto e participe da consulta para elaborá-lo aqui.

Evento da AIESEC e FIESP: crise financeira é aprendizado para crise climática

Dentro da Semana Global do Empreendedorismo, participamos ontem do painel “Empreendedorismo e Negócios Sustentáveis em Tempo de Crise”. Em tempos de turbulência financeira, o painel abordou como encarar a sustentabilidade nos negócios: ficará em segundo plano ou se transformará em uma oportunidade de negócios? Resumidamente, os palestrantes do painel convergiram na direção de que é imprescindível que as empresas reforcem suas práticas de governança, ética e transparência, alinhando o discurso com a efetiva prática da sustentabilidade nos negócios. Agora que a crise financeira já provoca recessão econômica em diversos países, mais ainda se faz necessária a incorporação da sustentabilidade na estratégia de negócios das empresas, tanto do lado da avaliação dos riscos socioambientais, como da criação de novas oportunidades de negócios (tecnologias limpas, energias renováveis, eficiência energética, etc). Na nossa apresentação, traçamos um paralelo entre a crise financeira e a crise climática. Ambas decorrentes do pensamento de curto prazo e da falta de preocupação com os riscos futuros, sendo claro o aprendizado com a crise financeira: é mais barato agir agora que esperar pelo pior (das mudanças do clima). Finalizamos, deixando como ponto de reflexão a afirmação do primeiro-ministro britânico Gordon Brown de que “as medidas para solucionar a crise financeira não devem ser tomadas às custas da agenda de combate às mudanças climáticas”.

Não perca: evento irá discutir sustentabilidade em tempos de crise

Atenção para mudança do local do evento! Empreendedorismo Social e Negócios Sustentáveis em Tempos de Crise Data: 18/11/2008 Novo local: Av. Prof. Luciano Gualberto, 908 - FEA 1 Sala A1 - Cidade Universitária Horário: das 15:30h às 18:00h Sobre o tema do evento: Em tempos de turbulências financeiras, quando a incerteza toma conta dos mercados, faz-se necessário repensar os rumos da nossa sociedade. Nesse cenário, como será encarada a sustentabilidade? Será colocada em segundo plano ou se tornará definitivamente uma oportunidade estratégica? São estas algumas das questões que esperamos suscitar com esse evento. Palestrantes: Cássio Trunkl – Sócio-diretor, Consultoria Finanças Sustentáveis Davis de Luna Tenório – Presidente, Grupo ECO Sabrina Rodrigues – diretora do CORES/FIESP e presidente da comissão de Responsabilidade Social da OAB Maria Eugênia Taborda – Comunicação e Sustentabilidade, Unibanco Faça sua inscrição aqui

Yunus diz que crise financeira é falta de humanização

Ontem estivemos presentes na palestra do prof. Muhammad Yunus, prêmio Nobel da Paz de 2006, que contou a sua experiência na criação do Grameen Bank, cuja atividade de microcrédito fomenta o empreendedorismo da população mais carente de Bangladesh, principalmente mulheres. Inicialmente o prof. Yunus comentou os desafios que enfrentou logo ao iniciar as atividades do Grameen: oposição dos grandes e tradicionais bancos do país que questionavam emprestar aos pobres; e questões sociais e religiosas, uma vez que em Bangladesh há resistências às mulheres exercerem a plena cidadania. Fundado em 1976, somente após seis anos 50% dos clientes do banco eram mulheres. Atualmente, esse percentual é de 97%. O Grameen começou pequeno e hoje já extrapola as fronteiras de Bangladesh. Ao ser indagado sobre as razões do sucesso do banco, o prof. Yunus resgatou conceitos simples, que fazem toda diferença ao negócio mas que parecem ter sido esquecidos: “Os bancos devem ir ao encontro das pessoas e não o contrário”, acrescentado que “é preciso que os bancos conheçam seus clientes”. A respeito da crise financeira mundial, o prof. Yunus disse que a crise é de confiança e que o risco não pôde ser evitado apesar dos bancos terem garantias, advogados e contrato. Segundo ele, a crise nos ensinou que “faltou o olho no olho”, “faltou humanização”. Finalmente, o prof. Yunus afirmou que a experiência de microcrédito do Grameen em Bangladesh serve em qualquer parte do mundo, porque progredir faz parte da natureza humana. Clique aqui para saber mais sobre o Grameen Bank e seu fundador prof. Yunus.

Mudanças climáticas: confira o novo relatório do CDP

Participamos ontem do lançamento do Relatório 2008 do Carbon Disclosure Project – CDP Brasil. O CDP, com sede em Londres, é uma organização sem fins lucrativos e independente que promove diálogo entre investidores e empresas de capital aberto, visando a divulgação de informações sobre as questões relativas às mudanças climáticas no âmbito dos negócios. Paralelamente, foi também lançado o relatório de 2008 do CDP das 500 maiores empresas abertas do mundo. A respeito do relatório brasileiro, Paul Simpson, diretor operacional do CDP, destacou o aumento de 47 para 60 empresas, respectivamente em 2007 e 2008, que responderam ao questionário que serve de base para a elaboração do relatório. Ele chamou atenção para o nível de adesão ao projeto: 83% das empresas convidadas responderam ao questionário. Esse percentual registrado no Brasil só foi inferior ao do Reino Unido (90%), país onde o CDP foi inicialmente criado. Pela primeira vez uma empresa brasileira, Vale do Rio Doce, entrou na lista das 60 melhores classificadas mundialmente, de acordo com o critério do CDP para avaliar como as empresas lidam com as mudanças do clima e buscam reduzir suas emissões de carbono. Simpson alertou sobre os riscos das mudanças do clima para as empresas: taxação sobre as emissões de carbono, maior regulamentação, alterações nos padrões climáticos, introdução de novas tecnologias e mudanças nos hábitos de consumo (consumidores estão cada vez mais exigentes). Por outro lado, ele identificou oportunidades de negócios, destacando que somente os investimentos em tecnologias limpas totalizaram US$ 150 bilhões em 2007. Finalmente, Simpson informou que o novo foco do CDP será avaliar toda a cadeia produtiva. Assim, as empresas que já participam do CDP devem buscar o engajamento de seus fornecedores no combate às alterações do clima e na redução das emissões de carbono. Outra novidade é que os dados do CDP sobre as empresas estão agora disponíveis no terminal de informações Bloomberg, o que facilitará a avaliação e a identificação das empresas que mais ganham e mais perdem com as mudanças do clima, como já o estão fazendo os bancos Citi e Goldman Sachs. Esperamos que cada vez mais instituições financeiras e administradores de recursos passem a incorporar essa análise em suas recomendações e decisões de investimento. Vale a pena conferir os relatórios do CDP aqui. Obs.: 1. a versão eletrônica do Relatório CDP 2008 Brasil brevemente estará disponível. 2. já é possível acessar as respostas de todas as empresas no site do CDP, inclusive das brasileiras.

Stern alerta para os impactos das mudanças do clima na economia

Participamos hoje do evento “Elementos-chave para uma economia de baixo carbono”, no qual houve a palestra do renomado economista inglês Nicholas Stern. A pedido do governo britânico, o prof. Stern elaborou um relatório para avaliar os aspectos econômicos das mudanças climáticas, o chamado Stern Review. Em sua palestra, o prof. Stern alerta para as conseqüências das mudanças do clima como, por exemplo, secas, inundações, furacões e aumento da temperatura do planeta, que irão provocar o deslocamento de populações afetadas por esses eventos climáticos e interferir no nosso modo de vida. Ele aponta para a necessidade de haver um entendimento global para estabilizar o nível de emissão na atmosfera dos gases do efeito estufa, principalmente de gás carbônico (CO2). Esse entendimento passaria por uma estreita colaboração entre o setor público e o setor privado, pela implantação de políticas públicas voltadas à mitigação dos impactos das alterações do clima, pela taxação das emissões de carbono e por investimentos em pesquisa e tecnologias de baixo carbono. Segundo ele, os setores siderúrgico, cimenteiro e de alumínio, grandes consumidores de energia, são os mais afetados e os que mais devem resistir a esse entendimento e recomenda aos governos não cometerem o erro de aumentar o protecionismo econômico, principalmente ao setor agrícola. Os riscos das mudanças climáticas para as empresas, segundo o prof. Stern, são: causar danos materiais, comprometer a reputação (nada fazer frente às alterações do clima), haver maior regulamentação e provocar alterações nos preços de mercado. Por outro lado, ele identifica oportunidades de negócios voltados ao desenvolvimento de novas tecnologias de baixa emissão de carbono e à eficiência energética. Finalmente, o prof. Stern alerta: “postergar os investimentos para combater a mudança do clima aumentará o custo para enfrentá-la mais adiante e dificultará ainda mais a nossa vida". Lei aqui o Relatório Stern.