Negócios Sustentáveis

Fortis adquire lote de créditos de carbono no primeiro leilão da BM&F

A Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) realizou ontem o primeiro leilão público de créditos de carbono desde a ratificação do Protocolo de Kyoto. O vencedor do leilão foi a instituição financeira belgo-holandesa Fortis, que comprou as 808,5 mil toneladas de CO² equivalente da prefeitura de São Paulo ao valor de 16,20 euros por tonelada, totalizando R$ 34,5 milhões. Vários negócios de balcão com créditos de carbono têm sido realizados por empresas brasileiras, sempre diretamente com interessados nos países desenvolvidos, com a intermediação de bancos ou consultorias. Mas essa é primeira vez que um negócio é realizado em bolsa, por meio da internet. Segundo o presidente da BM&F, Manuel Félix Cintra Neto, não devem ocorrer novos leilões de créditos de carbono na BM&F este ano, mas em 2008 deverão ocorrer cerca de dez leilões com a participação de vendedores públicos e privados. Esse primeiro leilão da BM&F, que contou com lances de 9 instituições, dá maior credibilidade à venda de créditos de carbono, confirmando que a procura por esses créditos tende a crescer nos próximos leilões e pode contribuir para estimular o número de projetos brasileiros de seqüestro de carbono.

Mudanças climáticas: governos e investidores americanos pressionam a SEC

Um grupo formado por 22 estados americanos, fundos de investimento e entidades ambientalistas acaba de encaminhar a Securities and Exchange Commission - SEC dos Estados Unidos um pedido para abertura de informações financeiras sobre riscos climáticos pelas empresas. Nesse pedido o grupo, que administra US$ 1,5 trilhão em ativos, argumenta que as conseqüências das mudanças climáticas nos negócios atingem desde danos materiais, novos custos e incentivos legais até alterações em produtos e serviços. O grupo ressalta que atualmente a abertura de informações a esse respeito é inconsistente e inadequada, apresentando como exemplos: o caso do relatório anual da ExxonMobil enviado à SEC onde a empresa faz apenas uma pequena referência sobre mudanças climáticas; e o caso da seguradora Allstate Corporation que perdeu US$ 4 bilhões com a passagem dos furacões Katrina e Rita e não faz qualquer menção quanto aos efeitos das mudanças do clima. Outro argumento apresentado por esse grupo é de que o Citigroup promoveu o downgrading das ações das empresas do setor de carvão devido ao risco climático. Caso a SEC decida regulamentar a abertura de informações relativas a riscos ambientais, seria um passo importante no sentido de conferir maior segurança ao mercado em suas decisões de investimentos. No âmbito dos Principles for Responsible Investment (PRI)*, os fundos de pensão brasileiros poderiam encaminhar à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) solicitação semelhante a do grupo americano. A respeito da incorporação de questões socioambientais no mercado de capitais, leia também o post abaixo "APIMEC orienta sobre a incorporação da sustentabilidade no mercado de capitais".

Leia aqui a petição do grupo americano enviada a SEC. (1,4 Mb)

fonte: Environmental Finance * Principles for Responsible Investment – PRI: Iniciativa lançada em abril de 2006 pelas Nações Unidas. Adotados no Brasil pelos maiores fundos de pensão, esses princípios demandam a incorporação de questões ambientais, sociais e de governança nas análises de investimento e processos de tomada de decisão.

Gelo ártico bate recorde de retração


Neste ano, a capa de gelo marinho que cobre o Oceano Ártico encolheu para 4,13 milhões de km² (dir.). O recorde anterior era de 2005, quando a capa de gelo chegou a 5,32 milhões de km² (esq.). Por causa do aquecimento global, a recuperação é cada vez mais difícil, enquanto o derretimento é cada vez mais severo.

Leia no post acima como os invetidores já estão pressionando os orgãos reguladores e as empresas para obter informações sobre os efeitos das mudanças climáticas nos negócios.

fontes: Estadão e NYT

BM&F realizará primeiro leilão público de créditos de carbono do mundo

O leilão que a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) fará no dia 26 de setembro marca a estréia do Mercado Brasileiro de Reduções de Emissões, sendo o primeiro leilão público desde a ratificação do Protocolo de Kyoto, em fevereiro de 2005. Os títulos que serão negociados na BM&F têm como base o projeto Bandeirantes de Gás de Aterro e Geração de Energia. Os créditos serão ofertados pela Prefeitura de São Paulo e correspondem a 808,5 mil toneladas de gases de efeito estufa com a expectativa de captação de R$ 30 milhões. Esse primeiro leilão da BM&F vai estimular o marco regulatório para o comércio de crédito de carbono, conferindo transparência e estimulando o crescimento desse mercado no Brasil. Segundo informação do BNDES, esse mercado tem potencial de US$ 1,2 bilhão de dólares até 2012 no país.

APIMEC orienta sobre a incorporação da sustentabilidade no mercado de capitais

A Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais de São Paulo (Apimec-SP), por meio de seu mais recente informativo, destacou a importância do tema da sustentabilidade no mercado de capitais, orientando que as empresas divulguem informações relacionadas a esse tema, recomenda a criação de fundos socialmente responsáveis e apóia a incorporação da sustentabilidade na análise fundamentalista. Essas recomendações e orientações da Apimec-SP juntam-se às mais recentes iniciativas da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) no sentido de incentivar a adoção de práticas de sustentabilidade nos negócios. Outras entidades representativas do mercado de capitais deveria acompanhar esse tipo de iniciativa. A Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), por exemplo, poderia ampliar as exigências quanto à transparência e qualidade das informações sobre questões socioambientais em seu Código de Auto-Regulação de Ofertas Públicas.

Investimento de R$ 1 bilhão para energia eólica no Ceará

A empresa SIIF Énergies do Brasil, afiliada do grupo francês SIIFELEC, anunciou que irá investir R$ 1,4 bilhão em um projeto para instalação de sete usinas eólicas no Brasil, seis no Ceará e uma em Cabo Frio - RJ. Desse investimento o Estado do Ceará receberá R$ 1 bilhão, dos quais 20% serão financiados pelo Bando do Nordeste do Brasil - BNB, 60% pela Agência do Desenvolvimento do Nordeste (ex-Sudene) e o restante com recursos próprios da SIIF. As seis usinas eólicas a serem implantadas no Ceará irão gerar 220,7 MW, representando 44% do previsto no âmbito do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (PROINFA) para o Estado. A carteira total de investimentos previstos para o setor eólico no Ceará é de R$ 2 bilhões. A partir de 2009, 20% da energia consumida no Estado deverá ser de origem eólica. Até aquele ano, deverão estar em operação 14 parques eólicos com capacidade de 500 MW. Enquanto se discute a construção de usinas hidrelétricas com grande potencial de impacto ambiental, os investimento previstos no Ceará para geração de energia eólica indicam a viabilidade dessa fonte de energia mais limpa para o país e representam uma oportunidade de negócios para empresas privadas e o setor financeiro.

Empresas do agronegócio criam instituto para incentivar práticas socioambientais

Antecipando possíveis barreiras não-tarifárias no comércio internacional relacionadas a questões ambientais e trabalhistas, 19 organizações representantes do setor do agronegócio criaram no início de setembro o Instituto para o Agronegócio Responsável (Ares), cujo objetivo é orientar empresas do setor na busca por melhores práticas socioambientais em suas atividades. Segundo do Roberto Waack, presidente do conselho consultivo do Ares, "Questões trabalhistas, escravidão no campo, expansão da fronteira agrícola para áreas de mata nativa, grilagem de terras e esgotamento dos recursos hídricos são alguns dos temas que o setor terá de cuidar". O mercado internacional já vem impondo certas restrições a produtos brasileiros. Grandes redes varejistas e redes de restaurantes europeus passaram a boicotar a soja brasileira, apontada como responsável pela destruição da floresta. O recente embargo à carne brasileira por países como a Irlanda é outro exemplo de pressão que o agronegócio brasileiro vem sofrendo. Essa iniciativa é bastante positiva na medida em que representa uma oportunidade para que dez cadeias produtivas do setor do agronegócio brasileiro avancem organizada e uniformemente na adoção de práticas socioambientais. Entretanto, para que essa iniciativa alcance resultados efetivos, será necessário que o setor do agronegócio estabeleça diálogo aberto e transparente com os diversos stakeholders envolvidos e adote as melhores práticas internacionais.