Negócios Sustentáveis

BNDES lança fundo inédito para projetos ambientais

O BNDES acaba de anunciar o lançamento do primeiro fundo de investimento em participações do Brasil voltado exclusivamente para projetos ambientais no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) previsto no Protocolo de Kyoto. A estimativa do BNDES é de que o patrimônio do Fundo Brasil Sustentabilidade (FBS) ficará entre R$ 250 milhões a R$ 400 milhões, sendo que a BNDES Participações - BNDESPAR, subsidiária do banco, participará com R$ 100 milhões. O fundo tem prazo de duração de oito anos, prorrogável por até dois anos. O período de investimento é de quatro anos, podendo ser estendido por até um ano. A política de investimento do FBS terá como foco empresas com atividades associadas a projetos com potencial de reduzir a emissão de gases do efeito estufa e gerar créditos de carbono, conforme previsto no mecanismo do Protocolo de Kyoto. O fundo tem a sua taxa de performance vinculada ao sucesso da empresa apoiada obter créditos de carbono. Consideramos o lançamento desse novo fundo do BNDES uma iniciativa relevante no sentido de introduzir a variável ambiental na indústria brasileira de fundos e contribuir para aumentar a conscientização dos investidores sobre as questões ambientais.

Investidores lançam plano de ação para riscos climáticos

Reunidos a semana passada em um encontro na Organização das Nações Unidas, cerca de 50 investidores institucionais, que administram US$ 1,75 trilhões, acabam de assinar um plano de ação para riscos climáticos, com a promessa de investir US$ 10 bilhões em tecnologias “limpas” nos próximos dois anos. No encontro os signatários do plano solicitaram que todas as empresas administradoras de recursos considerem os riscos e as oportunidades decorrentes das mudanças climáticas em suas decisões de investimentos, utilizando para tanto critérios de sustentabilidade ou de riscos climáticos. As instituições signatárias do plano decidiram estabelecer a meta de reduzir o consumo de energia de seus ativos imobiliários em 20% nos próximos três anos e incorporar critérios ambientais nas decisões de investimento nesse segmento de negócio. O plano de ação estabelece que seus signatários comprometem-se a: - Pressionar as empresas onde investem divulguem informações sobre os riscos financeiros associados às mudanças do clima; - Encorajar analistas de investimento, agências de rating e bancos de investimento a considerar os custos de emissão de carbono (estimados pelos signatários entre US$ 20 e US$ 40 por tonelada de dióxido de carbono equivalente); - Pressionar a comissão de valores mobiliários e o congresso americanos a exigir que as companhias divulguem informações sobre os riscos climáticos como parte dos documentos obrigatórios; e - Buscar o estabelecimento de uma política nacional para reduzir as emissões de gases do efeito estufa nos Estados Unidos e apoiar um acordo pós Protocolo de Kyoto.

Consideramos essa mais uma iniciativa importante do setor financeiro norte-americano no sentido de incorporar a variável climática nos negócios. Essa iniciativa serve de exemplo para que também no Brasil seja regulamentada a divulgação pública de informações a respeito dos impactos das mudanças do clima nas atividades das empresas, o que resultaria em maior transparência para a tomada de decisão de investimentos. Veja outras iniciativas semelhantes em nossos posts anteriores: Mudanças climáticas faz bancos adotarem regras para avaliação de riscos Website apresenta riscos e oportunidades das mudanças climáticas aos negócios CERES aponta que clima é o risco mais desprezado pelos bancos Novos relatórios alertam investidores para riscos e oportunidades das mudanças climáticas Mudanças climáticas: governos e investidores americanos pressionam a SEC

BNDES impõe condições sociais em contratos de financiamentos

O BNDES acaba de anunciar que adotará em todos os seus contratos de financiamento condicionantes sociais, que incluem o combate ao trabalho escravo e infantil. Questões sociais como essa já faziam parte da análise das empresas que buscavam apoio financeiro do banco, mas agora passam a integrar os contratos e poderão resultar em suspensão ou vencimento antecipado dos empréstimos. Essa iniciativa nos mostra que o cumprimento dos direitos sociais passa a ser questão fundamental no processo de concessão de crédito, com a mesma relevância das exigências econômico-financeiras, podendo o BNDES agilizar e coibir más práticas de gestão social dos clientes financiados. O BNDES também anunciou que passará a disponibilizar em seu site informações sobre as 50 maiores operações de financiamento direto com empresas de cada área do Banco, contratadas nos últimos 12 meses e atualizadas mensalmente. Essa inciativa, denominada de Janela da Transparência, busca dar maior transparência e aumento do controle social das atividades do banco. As informações agora disponibilizadas apresentam as características de cada contrato, valores envolvidos e objetivos de cada operação. A inclusão de condicionantes socioambientais pelo setor financeiro é mais um instrumento que contribui para disseminar melhores práticas de gestão socioambiental pelas empresas. Dado que o BNDES é o maior financiador de projetos no Brasil, acreditamos que essa sua iniciativa poderá ter um grande alcance.

Mudanças climáticas faz bancos adotarem regras para avaliação de riscos

No inicio de fevereiro três das maiores instituições financeiras internacionais, Citibank, JPMorgan Chase e Morgan Stanley anunciaram o lançamento do The Carbon Principles (Princípios do Carbono), que são diretrizes para aprimorar o gerenciamento dos riscos socioambientais e econômicos decorrentes das mudanças climáticas no financiamento e implantação de projetos de geração de energia nos Estados Unidos. Segundo esses bancos, os princípios são o resultado de um intenso processo de nove meses, que incluiu consulta às principais empresas do setor e organizações ambientalistas, para desenvolver formas de como avaliar os riscos associados à emissão de gases do efeito estufa relativos a projetos do setor de energia. Afirmaram também que a necessidade de criá-los é função dos riscos que o setor americano de energia enfrenta pelas incertezas quanto às políticas públicas para mudanças climáticas. Consideramos a criação dos Princípios do Carbono mais um avanço do setor financeiro na criação de mecanismos para melhor lidar com os riscos socioambientais, nesse caso associados às mudanças do clima. A exemplo dos Princípios do Equador, conjunto de critérios socioambientais no financiamento de operações de project finance, essa iniciativa é voluntária e poderá ser adotada por outras instituições financeiras. Os princípios envolvem diretrizes para o financiamento de projetos de eficiência energética, de energias renováveis e tecnologias de baixa emissão de gases do efeito estufa, bem como para projetos de geração de energia a carvão, gás ou nuclear para complementar a oferta de energia no mercado. Veja o The Carbon Principles Acesse aqui os critérios para o processo de due diligence Acesse aqui o press release do lançamento do The Carbon Principles

Website apresenta riscos e oportunidades das mudanças climáticas aos negócios

Recentemente, a Iniciativa Global de Gerenciamento Ambiental (Global Environmental Management Initiative - GEMI) lançou o site Business & Climate Change, que objetiva divulgar informações relevantes para que empresas entendam os riscos e oportunidades associados às mudanças climáticas em seus negócios e como elas podem criar e implementar estratégias para reduzir suas emissões de gases do efeito estufa. Com o intuito de apresentar ações e resultados práticos, o site inclui também a descrição de estudos de casos e melhores práticas de diversas empresas. Entendemos essa como mais uma interessante iniciativa na direção da difusão de boas práticas de gestão socioambiental e de como a partir dos impactos das mudanças do clima as empresas podem ampliar seus mercados. Fundada em 1990, a GEMI é uma instituição sem fins lucrativos formada por 40 empresas dedicadas a compartilhar práticas e informações voltadas a melhorar o desempenho ambiental e a governança.