Negócios Sustentáveis

Banco Central da China cria “lista suja” de empresas poluidoras

Recentemente os bancos chineses exigiram pagamento antecipado, suspenderam ou rejeitaram empréstimos para 12 das mais poluidoras empresas chinesas. Essa medida é resultado da “política de crédito verde”, que foi desenvolvida conjuntamente pela agência nacional do meio ambiente, o banco central e a autoridade reguladora do sistema financeiro chinês. Essa política, lançada em julho de 2007, requer que a agência ambiental encaminhe às autoridades financeiras uma “lista suja” das empresas mais poluidoras e que não cumprem com as exigências ambientais. A política de crédito verde da China é um exemplo interessante, que mereceria ser considerado também no Brasil, de como o trabalho conjunto entre as agências ambientais, as autoridades monetárias e os bancos podem contribuir para a proteção do meio ambiente e desenvolver instrumentos visando o aperfeiçoamento da gestão de risco de crédito. Ao incluir questões ambientais no sistema de crédito, o banco central alerta os bancos comerciais quanto ao risco de emprestar para empresas poluidoras que podem ter suas atividades interrompidas por violação da legislação ambiental. Sendo incluída na lista de maiores poluidoras, as empresas enfrentarão sérias dificuldades em tomar crédito. A agência nacional do meio ambiente da China anunciou que irá desenvolver, conjuntamente com o ministério das finanças e as comissões reguladoras de valores mobiliários e de seguros, outras políticas voltadas à proteção do meio ambiente.

Nova carteira do ISE pode estimular mercado de fundos

Ontem a Bovespa divulgou as empresas que irão integrar a carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial - ISE, que entrará em vigor em 1º. de dezembro de 2007. A nova carteira é composta por 32 empresas (33, atual) de 13 setores (14, atual), totalizando quase 40% do total de capitalização da Bovespa (R$ 2,3 trilhões), contra 43% da carteira atual. São 7 as empresas incluídas: AES Tietê, Cesp, Eletrobrás, Light, Sabesp, Sadia e Weg. Foram 8 as empresas excluídas: ALL, Celesc, Gol, Itaúsa, Localiza, TAM, Ultrapar e Unibanco. Nessa revisão da carteira 137 empresas receberam o questionário de avaliação, contra 120 empresas no ano anterior e, respectivamente, 62 e 60 empresas responderam. Participamos da revisão dos critérios de seleção das empresas que integram o ISE, que tinha por objetivo torná-los mais rigorosos. Esse objetivo foi atendido na medida em que 8 empresas não conseguiram permanecer no ISE, o que representa 24% da atual carteira. Observamos que na revisão do ano passado esse percentual foi de apenas 14%. Salientamos também que, em função do maior rigor nos critérios e na comprovação documental, a carteira anunciada do ISE apresenta uma menor concentração setorial em relação aos anos anteriores. Essa desconcentração poderá agora estimular mais o lançamento de um número maior de fundos de ações atrelados ao ISE pelas instituições financeiras, o que contribuiria para uma maior disseminação do conceito de investimento responsável pelos investidores em geral.

Bradesco reforça estratégia de sustentabilidade dos negócios

O Banco Bradesco anunciou no dia 14/11 a criação do Banco do Planeta, que será uma área dedicada a centralizar e ampliar todos os projetos e iniciativas socioambientais do banco. Segundo a direção do Bradesco, o Banco do Planeta “estará voltado para pessoas que se importam e se mobilizam em salvar o mundo e desenvolverá ações que contribuam, por exemplo, para a redução do aquecimento global”.

Projetos Carbon Free unem empresas e comunidades locais

No dia 10 de novembro a OSCIP Iniciativa Verde iniciou o período de plantio de 2007, prevendo plantar aproximadamente 82.000 árvores de espécies nativas da Mata Atlântica. O ano de 2007 marca o nascimento de novos fragmentos florestais em seis municípios diferentes de São Paulo e Minas Gerais (Porto Feliz, Sumaré, São Carlos, Lorena, São Francisco Xavier e São Tomaz de Aquino) que juntos somam 50 hectares, ou aproximadamente 100 campos de futebol de Mata Atlântica. Todos os restauros serão feitos às margens de rios e em parceria com agentes locais, maximizando desta forma os benefícios ambientais e sociais dos projetos “Carbon Free” da Iniciativa Verde. Esses projetos têm como objetivo central fazer um elo de ligação entre as empresas que pretendem plantar árvores para neutralizar o carbono emitido em seus processos produtivos e as comunidades locais. Estas novas florestas proporcionarão a preservação dos recursos hídricos, do solo e da biodiversidade local, contribuindo também para a redução do efeito estufa. Em aproximadamente 30 anos, ao atingir a maturidade, estas árvores terão retirado da atmosfera 15,5 mil toneladas de CO2, principal gás causador do efeito estufa. Para se ter uma idéia, esta emissão de CO2 equivale a percorrer o trecho entre São Paulo e Rio de Janeiro 233.000 vezes em um carro médio a gasolina ou 134.000 vezes de avião. Assista aqui ao vídeo que registra o início do período de plantio de 2007: video

1o. encontro do IPCC na América Latina discute propostas para a COP13

Na semana passada participamos do encontro sobre mudanças climáticas organizado pela Secretaria de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro e pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês). O objetivo desse encontro foi discutir o conteúdo da última parte do 4º. Relatório de Avaliação do IPCC sobre mitigação de gases causadores do efeito estufa, que foi divulgada em maio passado. Participaram desse primeiro encontro do IPCC na América Latina cerca de 250 representantes do setor ambiental, entre cientistas, economistas, políticos, empresários, acadêmicos e líderes do terceiro setor que, juntamente com 11 membros internacionais e cinco membros nacionais do IPCC, irão preparar um documento visando transformar as discussões do encontro em ações efetivas que possam ser incorporadas no âmbito das políticas públicas em todo o país. Logo na abertura do evento, o secretário estadual do Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc, dentre outras iniciativas locais para a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas no Estado, destacou que “o licenciamento ambiental passará a levar em conta a vulnerabilidade das mudanças climáticas e recursos hídricos”. A esse respeito lembramos que tramita na Assembléia Legislativa projeto de lei que institui a política estadual sobre mudança global do clima e desenvolvimento sustentável (clique aqui para acessar esse projeto de lei). Durante o encontro foram apresentadas algumas propostas, das quais destacamos a do integrante do IPCC, Leo Meyer, para taxar as emissões de carbono e investir na mitigação de gases do efeito estufa para atenuar os impactos ao aquecimento global. Ele afirmou que com tributos da ordem de US$ 50 por tonelada de dióxido de carbono (CO2) emitida, não haverá prejuízos financeiros aos países que decidirem adotar essa medida. A também integrante do IPCC, Diana Urge-Vorsatz, apresentou estudos sobre o potencial de mitigação de gases do efeito estufa na construção civil, com medidas de eficiência energética. Entretanto, segundo ela, a adoção dessas medidas ainda esbarra, por exemplo, em barreiras financeiras e regulatórias, demandando o estabelecimento de políticas para viabilizar tais medidas. Em seguida, o secretário executivo do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas de São Paulo, Fábio Feldman, destacou a recém criação do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, cujo objetivo é promover o desenvolvimento sustentável em toda a cadeia produtiva da construção civil. A respeito da necessidade do governo federal implantar um plano de mudanças climáticas, concordamos com as propostas defendidas pelo professor Luiz Pinguelli Rosa, secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, que afirmou que "o Brasil deve ter um plano de ação de mudanças climáticas, independente de metas de redução de emissões de gases de efeito estufa no âmbito do Protocolo de Quioto, que é questão de política externa”. Além disso, defendeu que o governo deveria implementar metas internas de redução do desmatamento, ações de conservação de energia e formas de diminuição da emissão de carbono pelas indústrias e na área dos transportes, entre outras medidas. Na sua avaliação, a necessidade número 1 é a redução do desmatamento, principal responsável pelas emissões de gases de efeito estufa no Brasil. O documento com os resultados desse encontro será apresentado em evento paralelo na 13ª Conferência das Partes (COP 13) em Bali, no mês de dezembro de 2007.

Empresas e bancos são alertados sobre riscos de usinas à carvão mineral

Bancos americanos são questionados por grupo ambientalista a deixar de financiar a indústria de carvão mineral. O grupo alega que nos Estados Unidos a geração de energia a partir do carvão é a que mais contribui para o aquecimento global, além de ser altamente poluente. Os ambientalistas dizem também que se todos os 150 projetos para construção de usinas termelétricas a carvão forem implantados, ficarão sem sentido todas as estratégias para redução de emissões de carbono. O grupo quer que os bancos invistam na geração de energia de fontes renováveis. No Brasil ocorre situação semelhante, onde a Vale do Rio Doce está sendo questionada pela população local, ambientalistas e Ministério Público quanto à viabilidade econômica e socioambiental do projeto de construção de usinas termelétricas a carvão mineral no estado do Pará. O projeto consiste na construção de usinas termelétricas utilizando carvão importado para suprir parte da necessidade de energia das unidades da Vale do Rio Doce, principalmente no Norte do País. Ambas situações, nos Estados Unidos e no Brasil, demonstram a crescente conscientização das pessoas em relação a questões socioambientais, do aquecimento do planeta e das mudanças climáticas, indicando a necessidade das empresas e do setor financeiro reavaliarem suas estratégias de negócios à luz dessa nova realiadade.

Fim da queima de cana tem grande adesão das usinas

O governo do Estado de São Paulo lançou em junho protocolo estabelecendo prazos para o fim da queima de palha de cana de açúcar. A Secretaria do Meio Ambiente acaba de anunciar que entre 60% e 70% das 170 usinas localizadas no estado já terão aderido ao protocolo até o final de 2007. As usinas que cumprirem o protocolo irão receber um certificado de conformidade ambiental. Elas serão avaliadas e deverão atingir uma nota mínima para poderem manter esse certificado. O governo do Estado deverá estabelecer um outro protocolo com os agricultores independentes de cana de açúcar, que prevê o fim das queimadas até 2021. Esses agricultores respondem por 25% do total da cana processada no Estado. Do total de 280 milhões de toneladas de cana processadas, cerca de 40% são colhidas com máquinas e 60% são queimadas, prática utilizada para a colheita manual. De acordo com o protocolo, que teve até esse momento a adesão de 36 usinas produtoras de açúcar e álcool, será eliminada a queima em áreas mecanizáveis e em áreas não mecanizáveis, respectivamente, até 2014 e 2017. O lançamento desse protocolo faz parte de uma série de medidas de controle ambiental anunciadas pelo governo de São Paulo no início de 2007. Ao estabelecer o fim das queimadas, o protocolo contribui para a redução dos gases do efeito estufa, provoca a adoção de melhores práticas pelo setor sucroalcooleiro, que pode vir a sofrer com barreiras ambientais por parte dos importadores, e deve provocar o aumento da produção de equipamentos para colheita da cana. O governo estuda medidas para recolocar os trabalhadores que perderão o emprego com o fim das queimadas. As usinas deveriam também investir na qualificação e na recolocação dessa mão de obra. O protocolo prevê que o governo e as usinas dêem transparência às informações e ações decorrentes de seu cumprimento. Tais informações deveriam ser publicamente divulgadas, por exemplo, nos sites da Secretaria do Meio Ambiente e Cetesb, o que seria fundamental para dar credibilidade a essa iniciativa. Tendo acesso a essas informações, o setor financeiro poderia adotar esse protocolo como um critério no processo de decisão de crédito, vinculando a concessão de financiamento à obtenção da certificação ambiental pelas empresas do setor sucroalcooleiro.

Fortis adquire lote de créditos de carbono no primeiro leilão da BM&F

A Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) realizou ontem o primeiro leilão público de créditos de carbono desde a ratificação do Protocolo de Kyoto. O vencedor do leilão foi a instituição financeira belgo-holandesa Fortis, que comprou as 808,5 mil toneladas de CO² equivalente da prefeitura de São Paulo ao valor de 16,20 euros por tonelada, totalizando R$ 34,5 milhões. Vários negócios de balcão com créditos de carbono têm sido realizados por empresas brasileiras, sempre diretamente com interessados nos países desenvolvidos, com a intermediação de bancos ou consultorias. Mas essa é primeira vez que um negócio é realizado em bolsa, por meio da internet. Segundo o presidente da BM&F, Manuel Félix Cintra Neto, não devem ocorrer novos leilões de créditos de carbono na BM&F este ano, mas em 2008 deverão ocorrer cerca de dez leilões com a participação de vendedores públicos e privados. Esse primeiro leilão da BM&F, que contou com lances de 9 instituições, dá maior credibilidade à venda de créditos de carbono, confirmando que a procura por esses créditos tende a crescer nos próximos leilões e pode contribuir para estimular o número de projetos brasileiros de seqüestro de carbono.

Mudanças climáticas: governos e investidores americanos pressionam a SEC

Um grupo formado por 22 estados americanos, fundos de investimento e entidades ambientalistas acaba de encaminhar a Securities and Exchange Commission - SEC dos Estados Unidos um pedido para abertura de informações financeiras sobre riscos climáticos pelas empresas. Nesse pedido o grupo, que administra US$ 1,5 trilhão em ativos, argumenta que as conseqüências das mudanças climáticas nos negócios atingem desde danos materiais, novos custos e incentivos legais até alterações em produtos e serviços. O grupo ressalta que atualmente a abertura de informações a esse respeito é inconsistente e inadequada, apresentando como exemplos: o caso do relatório anual da ExxonMobil enviado à SEC onde a empresa faz apenas uma pequena referência sobre mudanças climáticas; e o caso da seguradora Allstate Corporation que perdeu US$ 4 bilhões com a passagem dos furacões Katrina e Rita e não faz qualquer menção quanto aos efeitos das mudanças do clima. Outro argumento apresentado por esse grupo é de que o Citigroup promoveu o downgrading das ações das empresas do setor de carvão devido ao risco climático. Caso a SEC decida regulamentar a abertura de informações relativas a riscos ambientais, seria um passo importante no sentido de conferir maior segurança ao mercado em suas decisões de investimentos. No âmbito dos Principles for Responsible Investment (PRI)*, os fundos de pensão brasileiros poderiam encaminhar à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) solicitação semelhante a do grupo americano. A respeito da incorporação de questões socioambientais no mercado de capitais, leia também o post abaixo "APIMEC orienta sobre a incorporação da sustentabilidade no mercado de capitais".

Leia aqui a petição do grupo americano enviada a SEC. (1,4 Mb)

fonte: Environmental Finance * Principles for Responsible Investment – PRI: Iniciativa lançada em abril de 2006 pelas Nações Unidas. Adotados no Brasil pelos maiores fundos de pensão, esses princípios demandam a incorporação de questões ambientais, sociais e de governança nas análises de investimento e processos de tomada de decisão.

Gelo ártico bate recorde de retração


Neste ano, a capa de gelo marinho que cobre o Oceano Ártico encolheu para 4,13 milhões de km² (dir.). O recorde anterior era de 2005, quando a capa de gelo chegou a 5,32 milhões de km² (esq.). Por causa do aquecimento global, a recuperação é cada vez mais difícil, enquanto o derretimento é cada vez mais severo.

Leia no post acima como os invetidores já estão pressionando os orgãos reguladores e as empresas para obter informações sobre os efeitos das mudanças climáticas nos negócios.

fontes: Estadão e NYT

BM&F realizará primeiro leilão público de créditos de carbono do mundo

O leilão que a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) fará no dia 26 de setembro marca a estréia do Mercado Brasileiro de Reduções de Emissões, sendo o primeiro leilão público desde a ratificação do Protocolo de Kyoto, em fevereiro de 2005. Os títulos que serão negociados na BM&F têm como base o projeto Bandeirantes de Gás de Aterro e Geração de Energia. Os créditos serão ofertados pela Prefeitura de São Paulo e correspondem a 808,5 mil toneladas de gases de efeito estufa com a expectativa de captação de R$ 30 milhões. Esse primeiro leilão da BM&F vai estimular o marco regulatório para o comércio de crédito de carbono, conferindo transparência e estimulando o crescimento desse mercado no Brasil. Segundo informação do BNDES, esse mercado tem potencial de US$ 1,2 bilhão de dólares até 2012 no país.

APIMEC orienta sobre a incorporação da sustentabilidade no mercado de capitais

A Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais de São Paulo (Apimec-SP), por meio de seu mais recente informativo, destacou a importância do tema da sustentabilidade no mercado de capitais, orientando que as empresas divulguem informações relacionadas a esse tema, recomenda a criação de fundos socialmente responsáveis e apóia a incorporação da sustentabilidade na análise fundamentalista. Essas recomendações e orientações da Apimec-SP juntam-se às mais recentes iniciativas da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) no sentido de incentivar a adoção de práticas de sustentabilidade nos negócios. Outras entidades representativas do mercado de capitais deveria acompanhar esse tipo de iniciativa. A Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), por exemplo, poderia ampliar as exigências quanto à transparência e qualidade das informações sobre questões socioambientais em seu Código de Auto-Regulação de Ofertas Públicas.

Investimento de R$ 1 bilhão para energia eólica no Ceará

A empresa SIIF Énergies do Brasil, afiliada do grupo francês SIIFELEC, anunciou que irá investir R$ 1,4 bilhão em um projeto para instalação de sete usinas eólicas no Brasil, seis no Ceará e uma em Cabo Frio - RJ. Desse investimento o Estado do Ceará receberá R$ 1 bilhão, dos quais 20% serão financiados pelo Bando do Nordeste do Brasil - BNB, 60% pela Agência do Desenvolvimento do Nordeste (ex-Sudene) e o restante com recursos próprios da SIIF. As seis usinas eólicas a serem implantadas no Ceará irão gerar 220,7 MW, representando 44% do previsto no âmbito do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (PROINFA) para o Estado. A carteira total de investimentos previstos para o setor eólico no Ceará é de R$ 2 bilhões. A partir de 2009, 20% da energia consumida no Estado deverá ser de origem eólica. Até aquele ano, deverão estar em operação 14 parques eólicos com capacidade de 500 MW. Enquanto se discute a construção de usinas hidrelétricas com grande potencial de impacto ambiental, os investimento previstos no Ceará para geração de energia eólica indicam a viabilidade dessa fonte de energia mais limpa para o país e representam uma oportunidade de negócios para empresas privadas e o setor financeiro.

Empresas do agronegócio criam instituto para incentivar práticas socioambientais

Antecipando possíveis barreiras não-tarifárias no comércio internacional relacionadas a questões ambientais e trabalhistas, 19 organizações representantes do setor do agronegócio criaram no início de setembro o Instituto para o Agronegócio Responsável (Ares), cujo objetivo é orientar empresas do setor na busca por melhores práticas socioambientais em suas atividades. Segundo do Roberto Waack, presidente do conselho consultivo do Ares, "Questões trabalhistas, escravidão no campo, expansão da fronteira agrícola para áreas de mata nativa, grilagem de terras e esgotamento dos recursos hídricos são alguns dos temas que o setor terá de cuidar". O mercado internacional já vem impondo certas restrições a produtos brasileiros. Grandes redes varejistas e redes de restaurantes europeus passaram a boicotar a soja brasileira, apontada como responsável pela destruição da floresta. O recente embargo à carne brasileira por países como a Irlanda é outro exemplo de pressão que o agronegócio brasileiro vem sofrendo. Essa iniciativa é bastante positiva na medida em que representa uma oportunidade para que dez cadeias produtivas do setor do agronegócio brasileiro avancem organizada e uniformemente na adoção de práticas socioambientais. Entretanto, para que essa iniciativa alcance resultados efetivos, será necessário que o setor do agronegócio estabeleça diálogo aberto e transparente com os diversos stakeholders envolvidos e adote as melhores práticas internacionais.