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14 de janeiro de 2026

Do Confronto Geoeconômico ao Colapso Ambiental: o Mapa dos Riscos Globais

O World Economic Forum (WEF) lançou o Global Risks Report 2026 (21ª edição), que apresenta uma leitura estratégica dos riscos com potencial de gerar impactos sistêmicos sobre a economia global, sociedades e recursos naturais. O relatório tem como base o Global Risks Perception Survey, com contribuições de mais de 1.300 especialistas globais de governos, empresas, academia, organizações internacionais e sociedade civil, que avaliaram 33 riscos globais em horizontes de curto e longo prazo.

A edição de 2026 descreve o cenário internacional como uma “Era de Competição”, marcada pelo enfraquecimento do multilateralismo, maior rivalidade entre potências e uso crescente de instrumentos econômicos e tecnológicos como ferramentas estratégicas. O ambiente é caracterizado por elevada incerteza e maior risco de crises interconectadas.

No curto prazo (2026–2028), predominam riscos geopolíticos e sociais. O principal risco apontado para 2026 é o confronto geoeconômico, associado ao aumento de sanções, tarifas e restrições a capitais, tecnologia e comércio. Em seguida, destacam-se os conflitos armados entre Estados, reforçando um cenário de instabilidade e tensões com potencial de escalada.

No longo prazo (até 2036), o relatório indica que os riscos ambientais voltam a ocupar o centro do debate global. Entre os mais críticos estão eventos climáticos extremos, perda de biodiversidade e colapso de ecossistemas e mudanças críticas nos sistemas terrestres, evidenciando que a degradação ambiental tende a se intensificar.

Em relação ao relatório de 2025, a edição de 2026 confirma a ascensão do confronto geoeconômico como principal preocupação no curto prazo, refletindo um mundo mais fragmentado e competitivo. Observa-se ainda uma redução relativa da prioridade ambiental no curto prazo, influenciada por crises imediatas, embora os riscos ambientais continuem dominantes no longo prazo. O relatório também reforça a centralidade da governança da inteligência artificial, devido ao seu potencial impacto sobre mercados de trabalho, confiança social e segurança.

Em síntese, o relatório aponta um mundo mais competitivo, menos coordenado e com riscos crescentemente interdependentes. A capacidade de antecipação, governança e cooperação será determinante para reduzir vulnerabilidades e ampliar a resiliência global.

7 de setembro de 2025

Banco Central conduz pesquisas sobre riscos climáticos extremos

Recentemente o Banco Central do Brasil (Bacen) divulgou o volume 5 do Relatório de Riscos e Oportunidades Sociais, Ambientais e Climáticos. A respeito desse Relatório, destacamos os estudos que o Bacen tem desenvolvido voltados à análise de riscos climáticos e seus impactos sobre a economia e o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Esses estudos abrangem tanto os efeitos de eventos climáticos extremos quanto os riscos associados à transição para uma economia de baixo carbono.

Um dos estudos busca entender como geadas extremas afetam o fluxo financeiro de empresas e a estrutura da cadeia produtiva em localidades afetadas por esse tipo de evento climático. O objetivo é compreender como eventos climáticos específicos afetam a produção agrícola, os rendimentos e, consequentemente, a estabilidade financeira no local onde eles ocorrem.

Complementarmente, um outro estudo analisa os efeitos decorrentes de situações climáticas extremas como, por exemplo, enchentes e secas, investigando como a economia e o setor financeiro se adaptam a esses eventos. A pesquisa considera impactos sobre as cadeias de suprimento, atividades produtivas e instituições financeiras, permitindo o desenvolvimento de estratégias de mitigação e adaptação que fortaleçam a resiliência econômica.

Por fim, o Bacen pesquisa os riscos climáticos de transição com foco nos desafios associados à adaptação do SFN às mudanças regulatórias e à transição para uma economia de baixo carbono. Esse terceiro estudo avalia os potenciais impactos sobre as instituições financeiras, considerando a necessidade de ajustes nos modelos de negócios e na alocação de recursos, contribuindo para a gestão integrada dos riscos sociais, ambientais e climáticos.

Em conjunto, esses estudos visam a reforçar o compromisso do Bacen em promover um sistema financeiro resiliente, capaz de enfrentar eventos climáticos adversos e apoiar a transição sustentável da economia brasileira, fornecendo subsídios para políticas públicas e decisões estratégicas.

26 de agosto de 2025

Iniciativa promove compensação responsável de emissões de GEE

No último dia 21/08 participei do evento “Créditos de Carbono com Propósito"​, que foi promovido por Trench Rossi Watanabe Advogados e Instituto Ekos Brasil. Nessa ocasião houve a apresentação do Programa Compromisso com o Clima, cujo objetivo é o de conectar empresas interessadas na compensação responsável de suas emissões de Gases de Efeito Estufa a projetos que geram benefícios sociais e ambientais no longo prazo.

Ao participar desse Programa as empresas têm acesso a projetos que são selecionados a partir de um processo estruturado. A integridade dos projetos passa por uma criteriosa avaliação que considera: a análise dos impactos e dos riscos sociais e ambientais; os aspectos jurídicos e de governança; a aderência aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável; e por princípios internacionalmente reconhecidos tais como o The Integrity Council for the Voluntary Carbon Market (ICVCM).

No âmbito do Programa Compromisso com o Clima os bancos possuem um papel relevante: transformar os créditos de carbono em ativo financeiro e viabilizar o acesso das empresas a linhas de financiamento voltadas ao desenvolvimento sustentável.

Para saber mais sobre o Programa Compromisso com o Clima acesse:

https://www.ekosbrasil.org/compromisso-com-o-clima/

23 de novembro de 2024

Banco Central simula impacto da taxação de carbono em ativos dos bancos

O Banco Central do Brasil (BC) acaba de divulgar o novo Relatório de Estabilidade Financeira (REF). Esse relatório é uma publicação semestral do BC que apresenta o panorama da evolução recente e as perspectivas para a estabilidade financeira no Brasil, com foco nos principais riscos e na resiliência do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Desse REF destacamos o capítulo no qual o BC apresenta o resultado da simulação de implantação de taxa de carbono para fazer face ao risco climático (risco de transição decorrente de alteração regulatória). O BC simulou dois cenários de elevação gradual dos custos das emissões para todos os setores da economia, iniciando em 2025 e atingindo os valores de USD$ 50 (Cenário de Transição 1) e USD $100 (Cenário de Transição 2) por tonelada emitida em 2030. Entre os setores que mais emitem Gases de Efeito Estufa, as Instituições Financeiras (IF) estão mais expostas aos setores agropecuário, indústrias de transformação e transportes.

Segundo a referida simulação, o impacto no capital das IF seria limitado, em razão da exposição moderada que elas possuem nos setores mais afetados pela taxação do carbono. As perdas para as IF ficariam concentradas, principalmente, nos setores de indústrias de transformação, construção e transportes devido ao aumento dos ativos problemáticos desses setores. Os setores agropecuário e de transportes apresentam as maiores reduções no valor adicionado quando comparado ao cenário sem imposição da taxa de carbono. Contudo, a elevada exposição das IF ao setor agropecuário não se traduz em impactos equivalentes, por exibir menor proporção de ativos problemáticos quando comparado aos demais setores econômicos.

Será interessante acompanhar os próximos resultados dessa simulação do BC, sobretudo em relação ao setor agropecuário que vem sendo alvo de restrições comerciais internacionais como, por exemplo, a recentemente anunciada por redes varejistas francesas de não comprar carne produzida no Brasil.

Confira aqui em detalhes os critérios e resultados da simulação de implantação de taxa de carbono.

31 de agosto de 2024

Banco Central enfatiza a gestão do risco climático no setor financeiro

O Banco Central (BC) acaba de divulgar a quarta edição do Relatório de Riscos e Oportunidades Sociais, Ambientais e Climáticos (RIS) de 2024. Vale mencionar aqui alguns de seus destaques.

No capítulo 1 do RIS, que trata da Governança, o BC apresenta a matriz de riscos estratégicos de 2024 referente ao objetivo de “promover finanças sustentáveis e contribuir para redução de riscos socioambientais e climáticos na economia e no Sistema Financeiro Nacional (SFN). Quanto a esse objetivo o BC identifica a possibilidade de perturbações à estabilidade do SFN decorrentes da ocorrência de eventos climáticos, ambientais e sociais, que têm se tornado mais frequentes e severos. Cita as enchentes que ocorreram em 2023 e 2024 no Rio Grande do Sul, que  podem impactar a estabilidade econômica local e, no limite, podendo contaminar o SFN. O monitoramento da saúde financeira de cooperativas de crédito e a atuação das esferas de governo no enfrentamento de catástrofes são ações mitigadoras desse risco.

No capítulo 2 do RIS, intitulado Planeta, o BC apresenta estudos e análises sobre possíveis impactos dos riscos sociais, ambientais e climático na política monetária e no SFN. Entre esses estudos, o BC salienta as consequências econômicas e financeiras do desastre de Mariana com foco na questão da disponibilidade de água limpa. O estudo procurou quantificar as externalidades negativas da contaminação da água do Rio Doce. Essa contaminação levou, primeiramente, à queda da produção e, depois, do consumo, com efeitos reais na produção agrícola e de serviços dos municípios afetados, causando uma queda de 7% no PIB local. Em suma, ficou evidente o declínio do consumo e a destruição da riqueza com efeitos consideráveis no PIB dos municípios litorâneos afetados mais dependentes da agricultura.

No RIS, o BC reconhece que os eventos climáticos extremos têm o potencial de afetar a estabilidade financeira. Nesse sentido tem procurado avançar na adoção de ações para mitigar os riscos climáticos, como, por exemplo, georreferenciar exposições de crédito das instituições financeiras ao risco climático físico. Além disso, no próximo ano, o BC pretende reavaliar as estimativas de impacto da materialização dos riscos físicos de secas e chuvas intensas sobre essas instituições, realizadas em 2023 e 2024, agregando novas metodologias e cenários que estão sendo desenvolvidos no âmbito da Network for Greening the Financial System (NGFS), da qual faz parte.

Além da maior frequência e agravamento dos eventos climáticos, o BC tem um outro importante motivo para avançar em relação ao aprimoramento da gestão e do monitoramento dos riscos climáticos no SFN. A pesquisa apresentada no Relatório de Estabilidade Financeira (REF), que o BC divulgou no último mês de abril, revelou que apenas 42% das instituições financeiras afirmaram que os riscos climáticos de transição fazem parte de seu gerenciamento de risco. E apenas 19% fazem avaliações desses riscos para um horizonte de longo prazo.

21 de abril de 2024

Estudo do Banco Central revela que menos da metade das instituições financeiras gerencia o risco climático de transição

Recentemente o Banco Central divulgou o Relatório de Estabilidade Financeira (REF). Com foco nos principais riscos e na resiliência do sistema financeiro nacional, o REF apresenta o panorama da evolução recente e as perspectivas para a estabilidade financeira no país.

Nessa nova edição do REF, o BC divulgou a pesquisa anual, referente a 2023, para identificar as percepções das instituições financeiras sobre os efeitos de riscos climáticos na estabilidade financeira. Das 100 instituições convidadas, 83 responderam à pesquisa (correspondendo a 77% dos ativos totais da amostra). Em relação ao ano anterior, a pesquisa revela aumento da preocupação das instituições financeiras sobre os potenciais efeitos dos riscos climáticos sobre o sistema financeiro. A seguir destacamos alguns dos principais resultados dessa pesquisa.

Apesar de o impacto relatado de eventos climáticos em 2023 ter sido muito baixo nas instituições, numa visão de mais longo prazo devem ganhar relevância os riscos físicos decorrentes de secas, escassez de recursos naturais e desertificação. Tais riscos geram danos aos ativos e processos produtivos, perdas e aumentos de custos para as empresas.

Por sua vez, os riscos climáticos de transição decorrem dos custos adicionais de adaptação dos processos produtivos e dos modelos de negócio a novos requisitos legais e regulatórios voltados a promover a transição para uma economia de baixo carbono. Esse processo de transição pode gerar mudanças nas preferências de consumo das pessoas e impor barreiras de mercado.

Portando, ambos os riscos climáticos, físicos e de transição, ameaçariam o sistema financeiro devido ao potencial crescimento da inadimplência das empresas decorrente do aumento de seus custos. Apesar disso, chama a atenção o fato de apenas 42% das instituições financeiras afirmarem que os riscos climáticos de transição fazem parte de seu gerenciamento de risco. E apenas 19% fazem avaliações desse risco para um horizonte de longo prazo.

As instituições financeiras ressaltam a importância da disponibilização de bases de dados com informações que possibilitem a análise dos impactos de riscos climáticos de uma maneira padronizada e mais ampla. Nesse sentido, vem em boa hora a consulta pública que o Banco Central está realizando para estabelecer requisitos quantitativos padronizados associados aos riscos e oportunidades climáticos e tornar sua divulgação anual obrigatória no Relatório de Riscos e Oportunidades Sociais, Ambientais e Climáticos (GRSAC) das instituições financeiras. A conferir as novas normas decorrentes dessa consulta e o aprimoramento da gestão dos riscos climáticos nas instituições financeiras.

7 de abril de 2024

Banco Central abre consulta pública para definir regras de quantificação de risco climático

O Banco Central do Brasil (BC) lançou no último dia 27/03 a Consulta Pública 100/2024 para atualizar as regras para divulgação pelas instituições financeiras do Relatório de Riscos e Oportunidades Sociais, Ambientais e Climáticos (GRSAC). Por meio dessa Consulta Pública o BC objetiva alinhar suas normas aos padrões internacionais direcionados ao setor bancário, especificamente aos novos requerimentos acordados pelo Comitê de Basileia para Supervisão Bancária (BCBS, na sigla em inglês).

A Consulta Pública abrange os seguintes principais temas: contexto e abrangência das informações divulgadas; interação das regras prudenciais de divulgação de informação com os padrões divulgados pelo International Sustainability Standards Board (ISSB); indicadores para gerenciamento do risco climático; compromissos voluntários e planos de transição climática; e escopo de aplicação e prazo para implementação das regras.

A partir das contribuições enviadas pela sociedade o BC deverá aprimorar as normas para divulgação do Relatório GRSAC, que foi instituído para ampliar o escopo de divulgação de informações a respeito do tema por instituições financeiras autorizadas a operar no país. O referido Relatório já é divulgado por essas instituições, mas atualmente apenas as informações qualitativas são obrigatórias. Como resultado da Consulta Pública o BC deverá estabelecer requisitos quantitativos padronizados associados aos riscos e oportunidades sociais, ambientais e climáticos e tornar sua divulgação anual obrigatória nos Relatórios GRSAC.

Mais uma iniciativa relevante do BC que permitirá aos públicos de interesse conhecer e comparar o nível de exposição das instituições financeiras aos riscos social, ambiental e climático, saber como tratam deles e os novos negócios que oferecem aos clientes para lidar com a transição climática.

O prazo para envio de sugestões vai até o dia 28/06/2024. Acesse a Consulta Pública 100/2024 aqui. 

30 de maio de 2023

ESG: bancos se dividem entre priorizar a gestão de riscos ou a criação de oportunidades, estudo revela

A consultoria internacional Bain&Company, em parceria com a International Association of Credit Portfolio Managers – IACPM, divulgou neste mês de maio o Estudo ‘How financial services firms are wrestling with ESG’ (Como as instituições financeiras estão lutando com ESG). Esse estudo, resultante de uma pesquisa global com 55 instituições financeiras, que detêm US$ 40 trilhões de ativos, detalha como elas estão respondendo às pressões oriundas dos órgãos reguladores, acionistas e clientes no que diz respeito aos aspectos ESG.

O Estudo revela que há uma divisão entre os bancos: parte considera os aspectos ESG como riscos a serem gerenciados, e outra parte como oportunidades de negócios a serem capturadas.  O Estudo aponta que, apesar de os bancos estarem avançando em relação à incorporação dos fatores ESG em suas principais áreas de negócios, eles se sentem prejudicados pela falta de consenso em suas estruturas organizacionais (processos de gestão de riscos e de decisão carentes de clareza) e por diferentes prioridades regulatórias existentes entre as regiões e países onde atuam. No que diz respeito à organização interna, 40% afirmam que não incorporam responsabilidades aos colaboradores do ponto de vista ESG em suas linhas de negócios, o que está em desacordo com a melhor prática.

O Estudo destaca quatro áreas que merecem a atenção dos bancos: alinhar as partes interessadas no processo de descarbonização da economia, decidir as prioridades de financiamento para promover a transição energética, definir as estratégias para atender às demandas dos clientes em relação à descarbonização e transição e investir na análise de dados para aperfeiçoar as ferramentas de avaliação do risco climático.

Quanto ao risco climático, os bancos estão começando a incorpora-lo ao planejamento estratégico e decisões de empréstimos e contratação de seguros, reconhecendo que os impactos relacionados ao clima podem contribuir para aumentar o risco de crédito de maneira ainda não totalmente compreendida. Certamente a questão climática é um fator de atenção para os bancos, considerando que a lista dos 10 riscos com maior impacto provável de ocorrer no longo prazo (em até 10 anos), segundo o Global Risks Report 2023 do Fórum Econômico Mundial, são os riscos de falha na mitigação das mudanças climáticas, de falha na adaptação às mudanças climáticas e a ocorrência de desastres naturais e eventos climáticos extremos ocupam, respectivamente, os 3 riscos mais relevantes dessa lista. Por outro lado, há um grande potencial de novas oportunidades de produtos financeiros voltados à descarbonização e ao uso mais eficiente de recursos naturais.