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21 de outubro de 2026

Princípios do Equador: avanços e desafios na gestão de riscos socioambientais

O Relatório de Atividades 2025 dos Princípios do Equador (Equator Principles Activity Report 2025), que acaba de ser divulgado, apresenta resultados que demonstram a expansão da aplicação desse referencial internacional no financiamento de projetos, além de importantes iniciativas para fortalecer a gestão dos riscos socioambientais pelas instituições financeiras signatárias.

Entre os principais indicadores de 2025, destacam-se:

129 instituições financeiras signatárias, distribuídas em cinco regiões do mundo.

2.148 operações de financiamento abrangidas pelos Princípios do Equador, crescimento de 17% em relação a 2024 e de 57% desde 2022.

1.180 projetos individualmente identificados, aumento de 81% em comparação com 2022.

56,5% das operações concentradas no setor de energia. Entre as operações desse setor com identificação dos projetos, 82,3% destinaram recursos a energias renováveis.

339 operações classificadas na Categoria A, correspondente a projetos com riscos e impactos socioambientais potencialmente significativos.

Além do crescimento das operações, o relatório evidencia avanços institucionais relevantes. Destacam-se a ampliação das atividades de capacitação, a elaboração de orientações técnicas e a cooperação com organismos internacionais, especialmente a International Finance Corporation (IFC).

Outro avanço importante é o fortalecimento dos mecanismos de verificação independente. As instituições financeiras signatárias plenas deverão realizar, pelo menos a cada três anos, uma avaliação independente de seus processos internos de implementação dos Princípios do Equador.

Entretanto, o crescimento quantitativo não significa, necessariamente, maior efetividade na gestão dos riscos socioambientais.

Embora o relatório apresente estudos de caso que demonstram benefícios concretos da aplicação dos Princípios do Equador, ainda existe espaço para aprimorar a avaliação e a divulgação dos resultados efetivamente alcançados pelos empreendimentos financiados.

Nesse contexto, merecem maior atenção:

Monitoramento socioambiental: fortalecimento do acompanhamento dos projetos após a contratação dos financiamentos, com ênfase na implementação dos Planos de Ação Socioambiental (ESAP), no cumprimento dos compromissos assumidos e na eficácia das medidas de mitigação.

Transparência e prestação de contas: ampliação da divulgação de indicadores comparáveis sobre desempenho socioambiental, não conformidades, medidas corretivas e resultados do relacionamento com as comunidades afetadas.

Qualidade da implementação: maior uniformidade na aplicação dos requisitos pelas instituições financeiras, especialmente na identificação e gestão de riscos relacionados às mudanças climáticas, biodiversidade, condições de trabalho e impactos sobre comunidades.

Verificação independente: aperfeiçoamento dos mecanismos de avaliação, complementando a verificação dos procedimentos internos das instituições financeiras com evidências da efetividade da gestão socioambiental dos projetos.

O próprio relatório reconhece a necessidade de aprimorar continuamente a qualidade e a consistência da implementação dos Princípios do Equador. Também demonstra a importância do intercâmbio de experiências e da atualização das orientações técnicas diante da evolução dos riscos socioambientais.

O principal desafio para os próximos anos será transformar a expansão da aplicação dos Princípios do Equador em resultados socioambientais cada vez mais consistentes, verificáveis e transparentes.

Mais do que um instrumento de avaliação prévia dos riscos, os Princípios do Equador devem contribuir para o aprimoramento contínuo da gestão socioambiental ao longo do ciclo de vida dos empreendimentos, conciliando a proteção ambiental, o respeito às comunidades e a adequada gestão dos riscos financeiros.

31 de outubro de 2022

Bancos que adotam os Princípios do Equador reforçam diretrizes para solucionar queixas dos públicos afetados por projetos financiados

Nos dias 17 a 20 de outubro de 2022, aconteceu em Seul, capital da Coreia do Sul, a reunião anual das instituições financeiras que adotam os Princípios do Equador (PE). Lançados em 2003, esses Princípios são uma ferramenta que 138 instituições financeiras em 38 países adotam para identificar, avaliar e monitorar riscos socioambientais nas operações para financiamento de projetos. Os Princípios do Equador são um marco na gestão desses riscos no setor financeiro mundial.

As reuniões anuais servem para as instituições financeiras realizarem um balanço de como tem sido a experiência de cada uma delas na aplicação dos PE e, consequentemente, aperfeiçoá-los ao longo do tempo. Na última atualização dos PE, ocorrida em novembro de 2019 (PE 4), houve ampliação do seu escopo de aplicação (inclusão de mais modalidades de operações financeiras destinadas ao financiamento de projetos) e maior ênfase nas questões relacionadas aos direitos humanos e também às mudanças climáticas.

Na reunião anual de 2022, que acaba de se encerrar, as instituições financeiras lançaram um manual com orientações destinadas ao aperfeiçoamento dos chamados Mecanismos de Reclamação (Grievance Mechanisms). Tais mecanismos são os canais de comunicação por meio dos quais os trabalhadores e as comunidades afetadas podem livremente se manifestar a respeito de suas queixas e preocupações (impactos e riscos) socioambientais decorrentes dos projetos financiados no âmbito dos PE. A necessidade de implantação dos Mecanismos de Reclamação é prevista de acordo com o Princípio do Equador 6 (são dez Princípios no total) para todos os projetos classificados como de risco socioambiental “A” (riscos adversos significativos) e, quando apropriado, para projetos de risco “B” (riscos adversos limitados).

Ao lançar agora novas diretrizes, as instituições financeiras reconhecem que nem sempre os empreendedores têm o entendimento a respeito do funcionamento dos Mecanismos de Reclamação e o compromisso ou a capacidade de fornecer uma solução eficaz para as queixas levantadas pelas partes afetadas pelos projetos financiados. As diretrizes focam desde o início da implantação até a fase de operação dos projetos, particularmente nos de alto risco socioambiental onde os Mecanismos de Reclamação são necessários e os impactos adversos aos direitos humanos são mais prováveis de ocorrer.

Sem dúvida um passo importante no aperfeiçoamento dos PE. Contudo, as instituições financeiras precisariam exigir que os empreendedores dos projetos financiados dessem ampla divulgação dos mecanismos de reclamação e demonstrassem com transparência a solução para as queixas levantadas pelos públicos afetados por tais projetos. A conferir.

Desde 2015 a Consultoria Finanças Sustentáveis já realizou 45 auditorias socioambientais independentes dos Princípios do Equador e oferece curso específico sobre como implantá-los, incluindo os Padrões de Desempenho da IFC e as Diretrizes de Meio Ambiente, Saúde e Segurança do Banco Mundial (EHS Guidelines)

Acesse aqui o manual ‘Tools to Enhance Access to Effective Grievance Mechanisms and Enable Effective Remedy’.

3 de agosto de 2018

Bancos submetem os Princípios do Equador à consulta pública

Em novembro de 2017 a Associação de Bancos que adota os Princípios do Equador anunciou o início do processo de revisão desses Princípios. Lançados em 2003, os PE são um referencial do setor financeiro mundial para identificação, avaliação e gestão de riscos sociais e ambientais na atividade de financiamento de projetos de qualquer setor de atividade econômica. Atualmente, 94 instituições financeiras de 37 países adotam os PE. Fazem parte desse grupo os bancos brasileiros Bradesco, do Brasil, Votorantim, Itaú-Unibanco e Caixa. A versão atual dos Princípios do Equador é de junho de 2013 e foi resultante da atualização das diretrizes socioambientais da International Finance Corporation - IFC, que são a base dos PE para a avaliação dos impactos e riscos sociais e ambientais na atividade de financiamento de projetos.

2 de novembro de 2017

Bancos decidem atualizar os Princípios do Equador focando mudanças climáticas e direitos humanos

Na semana passada aconteceu em São Paulo a reunião anual dos bancos que adotam os Princípios do Equador. Esses Princípios, lançados em 2003, são um referencial do setor financeiro mundial para identificação, avaliação e gerenciamento de riscos socioambientais na atividade de financiamento de projetos de qualquer setor de atividade econômica.

30 de maio de 2017

BNDES pretende aprimorar a gestão do risco socioambiental na concessão de financiamentos

Num movimento positivo, porém tardio, o BNDES acaba de anunciar que irá aperfeiçoar suas políticas socioambientais à luz dos Padrões de Desempenho da International Finance Corporation - IFC, subsidiária do Banco Mundial financiadora de empresas.