15 de agosto de 2008

Clima: Embrapa adverte para prejuízos no setor agrícola brasileiro

A Embrapa lança hoje o livro “Mudanças Climáticas: impactos sobre doenças de plantas no Brasil”, que trata da vulnerabilidade da agricultura frente às alterações do clima e conclui que os prejuízos no setor podem chegar a R$ 7,4 bi em 2020 e alcançar R$ 14 bilhões em 2070. Essas estimativas são baseadas em dois cenários climáticos: um pessimista prevê alta de 2°C a 5,4°C, o outro otimista prevê alta de 1,4°C a 3,8°C - que também traria mudanças climáticas significativas. A perda de produção agrícola poderá ser bastante significativa em algumas regiões, com conseqüências graves para a segurança alimentar, principalmente no Nordeste. Nove culturas foram avaliadas - algodão, arroz, café, cana-de-açúcar, feijão, girassol, mandioca, milho e soja -, sendo que somente duas serão beneficiadas pelo aquecimento global: cana e mandioca. Todas as demais sofrerão com a perda de áreas propícias para cultivo e aumento do custo de produção. A soja será a cultura mais afetada, sendo responsável de cerca de 50% dos prejuízos calculados para 2020 e 2070. Por outro lado, a cana será a cultura mais beneficiada, devendo ocupar o espaço da soja e dobrar sua área de plantio. Semelhante a outros estudos que comentamos aqui no blog, este da Embrapa é mais um alerta sobre os efeitos das mudanças climáticas nos negócios. Recomendamos a leitura do livro a empresas e aos bancos que as financiam no sentido de, desde já, buscarem soluções para enfrentar e minimizar os impactos das alterações do clima em suas atividades. O livro será lançado hoje, às 19h30, no Café Universitário, durante a programação da 20ª Bienal de São Paulo.

5 de agosto de 2008

Guarda-roupa "verde"

Você pensa no meio ambiente quando compra uma roupa? Você acredita que a moda pode contribuir para a preservação da natureza? Se você ainda não se preocupa com isso, saiba que o setor têxtil está entre as que mais consome recursos naturais, como água e energia. Além disso, a cultura do algodão, um de seus principais insumos, é responsável por cerca de 30% da utilização de pesticidas no planeta. Para ilustrar o impacto da produção de algodão no meio ambiente, basta mencionar que é preciso utilizar 160g de agrotóxicos para produzir uma camiseta que pesa 250g. Portanto, a busca por matérias-primas alternativas e processos produtivos mais limpos são atualmente um dos maiores desafios do setor têxtil. A oferta de têxteis produzidos com materiais menos agressivos ao meio ambeinte é ainda limitada, devido à pequena escala de produção e fornecimento irregular de matérias-primas. Esse cenário acaba encarecendo os produtos. No exemplo da camiseta, aquela feita de algodão orgânico chega a custar até 3 vezes mais. Apesar do preço mais elevado, há um crescente número de pessoas que preferem consumir produtos que agridem menos a natureza. Algumas empresas de confecção e moda já têm procurado aumentar a oferta de produtos com esse foco. São os casos das brasileiras Osklen e Track & Field e das internacionais Levi’s, GAP e Nike. A própria rede varejista Wal-Mart no Brasil passou a vender têxteis produzidos com algodão orgânico a preços acessíveis. A questão da sustentabilidade nos setores têxtil e da moda passa pela necessidade das empresas considerarem os aspectos socioambientais, tais como o uso de materiais orgânicos e recicláveis, em toda a cadeia produtiva, desde o cultivo do algodão até o pós-venda. Quanto a todos nós consumidores, devemos procurar comprar roupas que causem menor impacto ao meio ambiente e conservá-las para que durem mais tempo. Saiba mais sobre moda sustentável e dicas de como consumir conscientemente, acessando: Instituto “e” Instituto Ecotece Environmental News Network

31 de julho de 2008

Bancos federais renovam seus compromissos socioambientais

Os bancos públicos federais, Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Caixa Econômica Federal, BNDES e Banco da Amazônia, irão assinar amanhã o novo Protocolo Verde, que estabelece diretrizes socioambientais na gestão de ativos e nas análises de risco de clientes e de projetos de investimento. Essa é a segunda versão do Protocolo Verde que foi inicialmente lançado em 1995. O novo Protocolo diferencia-se do anterior por estabelecer diretrizes mais objetivas dentre as quais destacamos as seguintes:
  • Oferecer condições especiais de financiamentos, como taxas, prazos e carências diferenciadas, para projetos que contemplem investimentos socioambientais.
  • Incorporar critérios socioambientais ao processo de análise e concessão de crédito para projetos de investimentos, considerando os impactos e riscos e a necessidade de medidas mitigadoras e compensatórias.
  • Efetuar a análise socioambiental de clientes cujas atividades exijam o licenciamento ambiental e/ou que representem significativos impactos sociais adversos.

Por se tratar de grandes bancos com enorme capilaridade de crédito, o novo Protocolo representa uma iniciativa importante do setor financeiro público na realização de negócios que promovam o desenvolvimento com sustentabilidade. Na nossa opinião, e como tudo indica o próprio Protocolo irá prever, é importante que haja harmonização de critérios e procedimentos na implantação de suas diretrizes pelos bancos.

Está em discussão na Febraban a possível adesão também dos bancos privados ao novo Protocolo Verde, o que seria um avanço conjunto do setor financeiro brasileiro na adoção de diretrizes socioambientais em seus negócios.

Leia mais sobre esse assunto na Gazeta Mercantil.

Acesse o novo Protocolo Verde.

25 de julho de 2008

Estado da Califórnia adota o primeiro código estadual de construções “verdes” nos EUA

Mais uma vez o estado da Califórnia sai na frente na preservação do maio ambiente. Sua Comissão de Padrões na Construção anunciou semana passada a adoção do primeiro código estadual de construções “verdes” nos Estados Unidos. A adoção desse código resultará na construção de novos edíficios comerciais e residenciais com maior eficiência energética e menor consumo de água. O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, anunciou também que os edifícios de órgãos públicos terão que reduzir em 20% o consumo de energia até 2015. Além disso, todas as novas construções de edifícios públicos ou reformas de edifícios existentes deverão atingir os requerimentos mínimos da certificação LEED (Leadership in Energy & Environmental Design). De acordo com o Green Building Council americano, os edifícios respondem por 70% do consumo de energia elétrica no país, 12% do consumo de água potável, 30% da geração de resíduos sólidos e pela emissão de 39% dos gases de efeito estufa. Assim, ao fixar metas de redução do uso de energia e água, o novo código de construções da Califórnia irá contribuir para atenuar as alterações climáticas decorrentes do efeito estufa. No Brasil, iniciativas semelhantes para o setor de construção foram adotadas, por exemplo, na capital de São Paulo (Lei 14.459 de 03/07/07) e no estado do Rio de Janeiro (Lei 5184 de 02/01/2008), onde é obrigatória a utilização de energia solar para aquecer uma parcela da água consumida em prédios novos. Essas iniciativas, além de economizar energia e proteger o meio ambiente, incentivam a expansão e a popularização do uso de energia solar. Leia aqui o Código de Construções do estado da Califórnia. Saiba mais sobre a certificação LEDD aqui.

19 de julho de 2008

Novo relatório aponta desafios para o setor florestal

Relatório divulgado no início do mês pelo World Resources Institute – WRI afirma que a indústria de produtos florestais irá enfrentar grandes desafios e oportunidades nos próximos anos em função das mudanças climáticas. Segundo esse relatório, o maior desafio para produtores de madeira, papel e outros produtos florestais será adaptarem-se à possível imposição de limites para emissões de gases do efeito estufa. Além disso, as mudanças climáticas poderão afetar mais diretamente essa indústria, alterando a produtividade florestal em algumas regiões e forçando empresas a procurarem madeira em outras áreas. O relatório complementa que custos de financiamento e de energia também poderão reduzir ainda mais a margem de lucros do setor. Por outro lado, o WRI destaca que a importante participação das florestas no ciclo do carbono proporciona uma oportunidade única para a indústria florestal oferecer uma ampla gama de produtos sustentáveis como, por exemplo, materiais de baixa emissão de carbono para a construção civil e biomassa para geração de energia. A leitura desse mais novo relatório do WRI proporciona a empresas do setor, instituições financeiras e investidores a reflexão sobre como lidar com os mais relevantes riscos e oportunidades associados à indústria de produtos florestais a partir das mudanças do clima. Confira aqui o relatório.

15 de julho de 2008

Banco francês inova ao avaliar impacto socioambiental indireto de seus produtos

O banco francês Caisse d’Epargne acaba de anunciar uma iniciativa pioneira no campo da sustentabilidade. Desde o mês passado está usando divulgando uma classificação de seus produtos financeiros para que seus clientes possam ser informados quanto ao impacto socioambiental que esses produtos podem causar.

A metodologia foi desenvolvida para inicialmente ser usada em produtos de investimentos. Segundo o Caisse d’Epargne, até o final de 2008 ela deve ser adaptada para outros tipos de produtos e serviços financeiros, como seguros e empréstimos.

De acordo com a metodologia, disponível na internet para que outros bancos possam também utilizá-la, os produtos são classificados em uma escala de 1 a 5 de acordo com três categorias (ilustração abaixo): seu risco financeiro; seu grau de responsabilidade social e ambiental e sua emissão direta e indireta de gases do efeito estufa.


Consideramos essa iniciativa inovadora e muito importante por não somente oferecer maior transparência aos clientes, como também por contribuir para a conscientização dos impactos socioambientais ao se consumir produtos e serviços financeiros.

Acesse aqui a metodologia

4 de julho de 2008

Agência lança rating inédito para projetos de crédito de carbono

Vale a pena conferir o recém-lançado serviço de rating de projetos de redução das emissões de carbono. O rating é uma novidade da empresa Carbon Ratings Agency, que irá atribuir classificação semelhante ao conhecido rating de crédito (AAA, AA, A, etc). Com a criação desse novo rating a Carbon Ratings busca soluções para os problemas hoje existentes em projetos regulados pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL do Protocolo de Quioto e em projetos desenvolvidos fora desse mecanismo: geração efetiva da quantidade de créditos previstos. A Carbon Ratings irá também considerar os benefícios econômicos e sociais que os projetos trazem, ou não.

Os idealizadores do novo rating afirmam que os projetos aptos a obter créditos de carbono valem atualmente cerca de €8,5 bilhões e poderiam atingir o valor de €100 bilhões no ano de 2020, o que contribuiria com os esforços para redução de emissões de CO2. Os investidores que acessam esse mercado procuram projetos de qualidade, que minimizem o risco de desempenho. O novo serviço de rating vai justamente nessa direção: dar maior transparência ao mercado de créditos de carbono, ajudar os investidores a diferenciar os créditos ofertados, contribuindo para que esse mercado passe a funcionar como o de outros ativos.

Ao lançar o novo serviço, a Carbon Ratings avaliou uma amostra representativa de 25 projetos elaborados dentro do MDL, inclusive no Brasil, revelando em seu relatório que poucos atingiram a classificação AA e que muitos não estão atingindo as metas de volume de créditos projetadas. Apesar de os desempenhos variarem de país para país, os projetos de energias renováveis e eficiência energética são os que apresentam melhor desempenho e os de minas de carvão o maior risco.

Leia aqui o relatório da Carbon Ratings Agency