8 de abril de 2009

Bancos privados adotam o Protocolo Verde

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que congrega os bancos privados do país, assinou ontem o Protocolo Verde. O documento, que já tem a adesão dos bancos públicos BNDES, Banco da Amazônia, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco do Nordeste do Brasil, é um compromisso de conceder financiamento apenas a empresas ou projetos que se comprometam com a questão da sustentabilidade. Consideramos a adesão dos bancos privados ao Protocolo Verde uma iniciativa importante para que as variáveis social e ambiental passem a integrar a estratégia de negócios de um número cada vez maior de bancos. O presidente da Febraban Fabio Barbosa, ressaltou que a assinatura do Protocolo é mais um sinal de que o movimento de sustentabilidade está em franca expansão no setor. Os primeiros bancos privados que aderiram ao protocolo são: Bradesco, Cacique, Citi, HSBC, Itaú Unibanco, Safra e Santander Brasil – Real. Leio o Protocolo Verde Outros posts sobre Protocolo Verde

6 de abril de 2009

EUA: seguradoras deverão informar sobre o impacto das mudanças climáticas

Recentemente, a National Association of Insurance Commissioners – NAIC, órgão regulador do setor segurador dos Estados Unidos, tornou obrigatória a divulgação pública de informações pelas companhias seguradoras sobre os riscos financeiros decorrentes das mudanças climáticas em seus negócios e que medidas estão adotando para enfrentá-los. Esta decisão foi uma vitória para a rede Ceres de investidores e organizações ambientalistas, que há cerca de 2 anos vinha propondo às seguradoras maior transparência de informações a respeito desses riscos Para cumprir essa nova exigência da NAIC, as seguradoras terão que avaliar o risco climático de seus clientes. Elas também deverão divulgar como estão adaptando sua gestão de risco à luz dos desafios das mudanças do clima e que medidas estão adotando para orientar os formuladores de políticas públicas e seus clientes sobre os riscos das mudanças climáticas. A rede Ceres espera que a nova regulamentação da NAIC, incentive a Securities and Exchange Commission – SEC, comissão de valores mobiliários dos EUA, a adotar medida semelhante para todas as empresas com ações negociadas em bolsas de valores. Em um documento que lançou em 2008, a NAIC advertia que as mudanças climáticas representam um “desafio sem precedentes para as seguradoras”. Seria hora do órgão regulador do setor de seguros e das companhias seguradoras brasileiros dedicarem mais atenção à questão das mudanças do clima no ambiente de negócios, não somente com relação aos riscos, mas principalmente quanto a novas oportunidades de negócios. Algumas seguradoras americanas já estão oferecendo novos produtos visando reduzir seus riscos e ajudar a combater as mudanças do clima. Esses produtos incluem diretrizes para edificações “verdes”, proteção contra secas em paises em desenvolvimento e incentivos para investimento em energias renováveis. Leia aqui o press release da rede Ceres

1 de abril de 2009

Em meio à crise, banco Standard Chartered reforça estratégia em sustentabilidade

Em meio à turbulência resultante da crise financeira, o banco Standard Chartered dá uma clara demonstração de que este é o momento para investir em sustentabilidade. O banco acaba de divulgar 13 diretrizes para lidar com as questões socioambientais no financiamento de setores com mais alto impacto. Estas diretrizes incluem, além de mudanças climáticas e trabalho infantil, os seguintes setores de atividades: florestas e óleo de palma, mineração e metalurgia, hidrelétricas, biocombustíveis, energia de combustíveis fósseis, transporte de materiais perigosos, fumo, petróleo e gás, jogos de azar, energia nuclear e desmanche de navios. Para a elaboração dessas diretrizes destacamos o fato do banco Standard Chartered ter consultado um grupo de stakeholders: ONGs, investidores focados em sustentabilidade e especialistas. A adoção destas diretrizes reforça a política de risco socioambiental do banco em vigor há 10 anos. O banco também é signatário dos Princípios do Equador e do Climate Principles. O objetivo do banco é o de também atuar de forma pró-ativa, contribuindo com o aprimoramento das práticas de gestão socioambiental de seus clientes. Mike Rees, presidente da área de atacado do Standard Chartered, afirmou: “Se um cliente não quer conversar sobre essas coisas, a questão para nós é se queremos trabalhar com esse tipo de cliente.” Simultaneamente ao lançamento das novas diretrizes, o banco anunciou que irá implantar um programa de treinamento de seus colaboradores sobre sustentabilidade no processo de decisão de crédito. Consideramos bastante oportuna a iniciativa do banco SC de reforçar sua estratégia de sustentabilidade nos negócios, inclusive pela adoção de diretriz específica para lidar com o impacto das mudanças climáticas. Desse modo, o banco se prepara para rever seu perfil de clientes à luz de uma economia que caminha na direção da baixa emissão de carbono. Conheça as novas diretrizes do banco Standard Chartered e suas outras práticas de sustentabilidade

5 de março de 2009

Nasce banco com foco em sustentabilidade nos EUA

Em meio à crise no setor financeiro, acaba de ser criado nos EUA o e3bank, um banco que já nasce com a estratégia de sustentabilidade em seus negócios. O e3bank irá incentivar seus clientes a ter um modo de vida mais sustentável ao oferecer financiamentos “verdes” com taxas de juros reduzidas. O foco de atividades desse novo banco será o de financiar construções, desenvolvimento de tecnologias e produtos sustentáveis. O e3bank não terá agências e limitará ao mínimo a sua pegada ecológica, utilizando, sempre que possível, meios eletrônicos para realizar suas operações e se relacionar com os clientes. O foco de atuação do e3bank segue a mesma linha do Banco Triodos, fundado em 1980 na Europa, cujo case mostra que é viável conciliar as variáveis sociais e ambientais aos negócios do setor financeiro. Saiba mais sobre o Banco Triodos lendo o nosso livro Sustentabilidade dos Negócios no Setor Financeiro: Um caso prático, editora Annablume Saiba mais sobre o e3bank aqui

16 de fevereiro de 2009

BNDES amplia abertura de informações sobre seus financiamentos

Em uma nova etapa do seu projeto de dar maior transparência às suas operações, o BNDES acaba de disponibilizar em seu site na Internet informações relativas aos contratos de financiamento assinados durante o ano de 2008. O banco já vinha disponibilizando a lista das 50 maiores operações contratadas por setor de atividade. Agora o banco passa a disponibilizar todas as operações contratadas nos últimos 12 meses por 4 segmentos: operações diretas com as empresas, indiretas (realizadas por meio de repasse de recursos a outros bancos), contratos com micro, pequenas e médias empresas e financiamentos a estados e municípios. As operações com empresas estão divididas por setor de atividades: indústria, infraestrutura, inclusão social, insumos básicos e comércio exterior, e incluem o nome da empresa, CNPJ, descrição do projeto, localização do empreendimento, data da contratação e valor do financiamento. Entendemos que essa iniciativa do BNDES é um passo importante no sentido de dar maior abertura de informações ao público sobre suas atividades. Esperamos que a próxima etapa inclua informações sobre os potenciais impactos socioambientais dos empreendimentos e as exigências do banco para mitigá-los, como é prática da International Finance Corporation – IFC. Acesse aqui a nova página do BNDES sobre projetos financiados Acesse aqui a página da IFC sobre projetos financiados

9 de fevereiro de 2009

Setor financeiro e sustentabilidade ganham destaque na pauta do Fórum Social Mundial

Em plena crise econômica global, inicialmente desencadeada pela quebra de instituições financeiras nos Estados Unidos, a discussão sobre o papel dos bancos na promoção do desenvolvimento sustentável não poderia ter ficado ausente da agenda do Fórum Social Mundial 2009, recentemente realizado em Belém do Pará. Três eventos sobre este tema tiveram lugar no fórum, com destaque para o Seminário “Sustentabilidade, Banco Central e Sistema Financeiro”, promovido pelo Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central do Brasil – SINAL. Este evento teve por objetivo compor um quadro sobre a sustentabilidade no setor financeiro e refletir qual seria o papel do Banco Central diante dos enormes desafios impostos pela atual crise econômica e pelas questões socioambientais associadas às atividades do setor. Na nossa palestra nesse seminário apresentamos um panorama sobre como as instituições financeiras, nacionais e internacionais, lidam com a variável socioambiental em suas estratégias de negócios. Isto é um processo que vem ocorrendo tanto pela adoção de diretrizes para avaliar os riscos sociais e ambientais no processo de decisão de crédito e de investimento, como pelo lançamento de novos produtos financeiros destinados, por exemplo, a preparar seus clientes para uma economia que caminha para a baixa emissão de carbono. É nessa direção que o Banco Central exerceria papel fundamental: fomentar a criação de instrumentos financeiros de alcance global, tais como fundos de investimentos e linhas de crédito, destinados a atrair recursos de grandes investidores institucionais e do setor público que seriam canalizados no combate ao desmatamento e às mudanças do clima e a projetos no setor de energias renováveis. Desse modo, o Banco Central estaria atuando não somente para solucionar a crise econômica, como também contribuindo no combate ao aquecimento do planeta. Na mesma linha do seminário organizado pelo SINAL, ocorreu um outro evento, promovido pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, que abordou o papel do crédito na sustentabilidade da Amazônia. Ainda um terceiro painel, articulado por uma rede de organizações sociais, colocou em discussão o alcance socioambiental das atividades financiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES. Estes três eventos são uma demonstração inequívoca de que a sociedade civil brasileira percebe o papel indutor que o setor financeiro exerce, sobretudo por meio do crédito, na promoção de negócios com mais sustentabilidade.