31 de março de 2008

Banco da Amazônia impõe maior rigor na concessão de crédito

O Banco da Amazônia (BASA) acaba de divulgar novas diretrizes da sua política socioambiental, tornando mais rigorosos os financiamentos para os setores de soja, pecuária de corte e ferro-gusa. Todas as propostas de financiamento desses setores serão pré-avaliadas nas próprias agências do banco e classificadas segundo seu risco socioambiental. Num primeiro momento o banco dará prioridade às médias e grandes empresas e aos médios e grandes produtores. Os projetos serão classificados como de alto risco – A, de risco médio – B ou de baixo risco – C. Suas novas diretrizes visam promover projetos que sejam exemplares em termos socioambientais e induzir os clientes a adotarem práticas sustentáveis. Haverá restrição de financiamento para atividades que acarretam graves danos ambientais, como a construção de alto-fornos para produção de ferro gusa. Será aplicado um questionário socioambiental no momento da elaboração ou atualização do cadastro dos clientes para avaliação do risco socioambiental. A iniciativa do BASA de aprimoramento de suas práticas socioambientais é um exemplo interessante de como o setor financeiro pode contribuir na redução do desmatamento na região Amazônica, que é a principal fonte de emissão de gases do efeito estufa no Brasil.

18 de março de 2008

Conheça o caso de sustentabilidade do banco Triodos

O livro que lançamos no dia 24 de março apresenta as práticas adotadas pelo banco holandês Triodos, que identificamos como o banco que mais efetivamente incorpora a sustentabilidade em sua missão e estratégia de negócios.

As práticas do Triodos são apresentadas em paralelo às recomendações do manual “O que fazer e não fazer em um banco sustentável” (“The do’s and don’ts of Sustainable Banking) da rede BankTrack.

Ao apresentar o case dessa instituição financeira, esperamos contribuir para disseminar e estimular a utilização das melhores práticas de sustentabilidade no setor financeiro brasileiro.

Caso você se interesse em adquirir o livro, clique aqui.


Veja as fotos da noite de autógrafos do livro na Livraria da Vila, Al. Lorena, em 24/03/2008. Clique aqui.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES patrocina a publicação deste livro.


A Iniciativa Verde neutralizou as emissões de carbono decorrentes da publicação do livro.

Empresas já avaliam riscos dos ecossistemas em seus negócios

O World Resources Institute (WRI) em colaboração com o Meridian Institute e o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) acabam de anunciar o lançamento de um guia intitulado “Corporate Ecosystem Services Review”. Esse guia foi elaborado com o objetivo de orientar as empresas a desenvolver estratégias para gerenciar os riscos e as oportunidades decorrentes da degradação dos ecossistemas. As empresas Akzo Nobel, BC Hydro, Mondi, Rio Tinto e Syngenta testaram a metodologia e contribuíram para a elaboração do guia. Os ecossistemas prestam um grande número de benefícios e de serviços para as empresas, incluindo água, madeira, polinização, equilíbrio climático e proteção contra desastres naturais. Entretanto, devido às mudanças climáticas, conversão do uso da terra e muitos outros fatores, os ecossistemas estão sob enorme pressão, segundo afirmou o presidente do WRI, Jonathan Lash. À medida que o meio ambiente se degrada, as empresas passarão a enfrentar riscos operacionais, regulatórios e reputacionais. Aquelas que oferecerem soluções para esses riscos poderão usufruir novas oportunidades de negócios e novas fontes de receitas. Consideramos o lançamento do guia uma ferramenta útil para as empresas poderem criar novos mercados e se anteciparem a políticas governamentais que surgem em resposta à degradação dos ecossistemas. O guia também contribui para que as empresas aprimorem a avaliação dos seus impactos ambientais e melhor administrem o uso de recursos naturais.

12 de março de 2008

Questão da água traz riscos e oportunidades

A produtora de alumínio Alcan divulgou o resultado do projeto que implantou para redução do consumo de água em sua fábrica localizada nos Alpes franceses. O consumo d’água dessa fábrica tornou-se um fator de preocupação, dado o possível estabelecimento de regulamentação impondo limites ao uso industrial desse importante insumo. Outra preocupação era a de cobrança pelo uso d’água, que viria a prejudicar a lucratividade daquela fábrica. Antecipando-se a essas possíveis situações, a Alcan lançou um projeto para reduzir o uso e aperfeiçoar a estação de tratamento de água e adotar métodos mais eficientes de produção. Com a colaboração da agência governamental de águas, o projeto teve início pela conscientização dos funcionários da empresa sobre a importância e o desafio associados ao uso e à qualidade d’água na região dos Alpes. Com investimento mínimo, foi feito um mapeamento e, posteriormente, realizado investimento para modernizar e reprogramar o fluxo d’água do processo de produção. O consumo d’água da fábrica caiu de 350 mil m³/ano para 173 mil m³/ano, respectivamente, em 2005 e 2007. A Alcan já identificou novos processos de fabricação que irão reduzir ainda mais o uso d’água. Consideramos esse projeto um exemplo interessante de como a empresa soube transformar possíveis ameaças em redução de custos e da sua “pegada” ecológica, gerando valor para a empresa. A Alcan declarou ainda que passou a ser melhor percebida pela comunidade local.

3 de março de 2008

CMN incluiu bancos privados em regras contra o desmatamento

O Conselho Monetário Nacional (CMN) acaba de editar a Resolução 3545, determinando que os bancos públicos e privados que operam com crédito rural passem a exigir dos grandes produtores e dos agricultores dos assentamentos rurais na região Amazônica documento que comprove a regularidade ambiental. As medidas valem para as propriedades que estejam em área de floresta - bioma Amazônia. Serão obrigatórias a partir de 1º de julho. Em 1º de maio, as medidas já serão implementadas em caráter facultativo para que os bancos e os produtores se adaptem às novas regras. Por meio dessa nova resolução, o CMN passa a incluir critérios ambientais para contratação de empréstimos rurais, aumentando o rigor na liberação de recursos para produtores que desmatam ilegalmente a floresta Amazônica. Essa decisão do governo federal faz parte de um conjunto de ações para colocar em prática o Decreto 6.231, de 21/12/2007, que estabelece medidas para prevenir, monitorar e controlar o desmatamento na região. Dentre essas medidas destaca-se a de atualização permanente da lista dos municípios com maior incidência de desmatamento (ver post Fazendeiro que desmata a Amazônia não terá crédito dos bancos federais).

27 de fevereiro de 2008

BNDES lança fundo inédito para projetos ambientais

O BNDES acaba de anunciar o lançamento do primeiro fundo de investimento em participações do Brasil voltado exclusivamente para projetos ambientais no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) previsto no Protocolo de Kyoto. A estimativa do BNDES é de que o patrimônio do Fundo Brasil Sustentabilidade (FBS) ficará entre R$ 250 milhões a R$ 400 milhões, sendo que a BNDES Participações - BNDESPAR, subsidiária do banco, participará com R$ 100 milhões. O fundo tem prazo de duração de oito anos, prorrogável por até dois anos. O período de investimento é de quatro anos, podendo ser estendido por até um ano. A política de investimento do FBS terá como foco empresas com atividades associadas a projetos com potencial de reduzir a emissão de gases do efeito estufa e gerar créditos de carbono, conforme previsto no mecanismo do Protocolo de Kyoto. O fundo tem a sua taxa de performance vinculada ao sucesso da empresa apoiada obter créditos de carbono. Consideramos o lançamento desse novo fundo do BNDES uma iniciativa relevante no sentido de introduzir a variável ambiental na indústria brasileira de fundos e contribuir para aumentar a conscientização dos investidores sobre as questões ambientais.

25 de fevereiro de 2008

Investidores lançam plano de ação para riscos climáticos

Reunidos a semana passada em um encontro na Organização das Nações Unidas, cerca de 50 investidores institucionais, que administram US$ 1,75 trilhões, acabam de assinar um plano de ação para riscos climáticos, com a promessa de investir US$ 10 bilhões em tecnologias “limpas” nos próximos dois anos. No encontro os signatários do plano solicitaram que todas as empresas administradoras de recursos considerem os riscos e as oportunidades decorrentes das mudanças climáticas em suas decisões de investimentos, utilizando para tanto critérios de sustentabilidade ou de riscos climáticos. As instituições signatárias do plano decidiram estabelecer a meta de reduzir o consumo de energia de seus ativos imobiliários em 20% nos próximos três anos e incorporar critérios ambientais nas decisões de investimento nesse segmento de negócio. O plano de ação estabelece que seus signatários comprometem-se a: - Pressionar as empresas onde investem divulguem informações sobre os riscos financeiros associados às mudanças do clima; - Encorajar analistas de investimento, agências de rating e bancos de investimento a considerar os custos de emissão de carbono (estimados pelos signatários entre US$ 20 e US$ 40 por tonelada de dióxido de carbono equivalente); - Pressionar a comissão de valores mobiliários e o congresso americanos a exigir que as companhias divulguem informações sobre os riscos climáticos como parte dos documentos obrigatórios; e - Buscar o estabelecimento de uma política nacional para reduzir as emissões de gases do efeito estufa nos Estados Unidos e apoiar um acordo pós Protocolo de Kyoto.

Consideramos essa mais uma iniciativa importante do setor financeiro norte-americano no sentido de incorporar a variável climática nos negócios. Essa iniciativa serve de exemplo para que também no Brasil seja regulamentada a divulgação pública de informações a respeito dos impactos das mudanças do clima nas atividades das empresas, o que resultaria em maior transparência para a tomada de decisão de investimentos. Veja outras iniciativas semelhantes em nossos posts anteriores: Mudanças climáticas faz bancos adotarem regras para avaliação de riscos Website apresenta riscos e oportunidades das mudanças climáticas aos negócios CERES aponta que clima é o risco mais desprezado pelos bancos Novos relatórios alertam investidores para riscos e oportunidades das mudanças climáticas Mudanças climáticas: governos e investidores americanos pressionam a SEC