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6 de novembro de 2008

Mudanças climáticas: confira o novo relatório do CDP

Participamos ontem do lançamento do Relatório 2008 do Carbon Disclosure Project – CDP Brasil. O CDP, com sede em Londres, é uma organização sem fins lucrativos e independente que promove diálogo entre investidores e empresas de capital aberto, visando a divulgação de informações sobre as questões relativas às mudanças climáticas no âmbito dos negócios. Paralelamente, foi também lançado o relatório de 2008 do CDP das 500 maiores empresas abertas do mundo. A respeito do relatório brasileiro, Paul Simpson, diretor operacional do CDP, destacou o aumento de 47 para 60 empresas, respectivamente em 2007 e 2008, que responderam ao questionário que serve de base para a elaboração do relatório. Ele chamou atenção para o nível de adesão ao projeto: 83% das empresas convidadas responderam ao questionário. Esse percentual registrado no Brasil só foi inferior ao do Reino Unido (90%), país onde o CDP foi inicialmente criado. Pela primeira vez uma empresa brasileira, Vale do Rio Doce, entrou na lista das 60 melhores classificadas mundialmente, de acordo com o critério do CDP para avaliar como as empresas lidam com as mudanças do clima e buscam reduzir suas emissões de carbono. Simpson alertou sobre os riscos das mudanças do clima para as empresas: taxação sobre as emissões de carbono, maior regulamentação, alterações nos padrões climáticos, introdução de novas tecnologias e mudanças nos hábitos de consumo (consumidores estão cada vez mais exigentes). Por outro lado, ele identificou oportunidades de negócios, destacando que somente os investimentos em tecnologias limpas totalizaram US$ 150 bilhões em 2007. Finalmente, Simpson informou que o novo foco do CDP será avaliar toda a cadeia produtiva. Assim, as empresas que já participam do CDP devem buscar o engajamento de seus fornecedores no combate às alterações do clima e na redução das emissões de carbono. Outra novidade é que os dados do CDP sobre as empresas estão agora disponíveis no terminal de informações Bloomberg, o que facilitará a avaliação e a identificação das empresas que mais ganham e mais perdem com as mudanças do clima, como já o estão fazendo os bancos Citi e Goldman Sachs. Esperamos que cada vez mais instituições financeiras e administradores de recursos passem a incorporar essa análise em suas recomendações e decisões de investimento. Vale a pena conferir os relatórios do CDP aqui. Obs.: 1. a versão eletrônica do Relatório CDP 2008 Brasil brevemente estará disponível. 2. já é possível acessar as respostas de todas as empresas no site do CDP, inclusive das brasileiras.

31 de janeiro de 2008

Política da Vale provoca mudanças na gestão ambiental de guseiras

A Companhia Siderúrgica do Pará (Cosipar), que produz ferro-gusa a base de carvão vegetal, acaba de fechar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), onde se compromete a reflorestar 32 mil hectares com árvores de espécies nativas. A Cosipar é a primeira empresa guseira do estado do Pará processada por crime ambiental a fechar esse tipo de acordo. O passivo ambiental da empresa é devido à falta de comprovação da origem do carvão vegetal usado na produção de ferro-gusa, indicando que esse produto foi obtido como desmatamento da floresta Amazônica. A Cosipar informou que precisava fechar o acordo com o Ibama para que a companhia Vale voltasse a lhe fornecer minério de ferro, matéria-prima para a produção de ferro-gusa. Em outubro de 2007 a Vale, em linha com suas práticas de gestão socioambiental, deixou de fornecer minério de ferro para diversas guseiras do Pará e do Maranhão que estavam em situação ilegal. A Vale informou que irá esperar uma posição oficial do Ibama para avaliar a possibilidade de retomar o suprimento de minério de ferro para a Cosipar. O Ibama espera fechar acordos com as demais empresas guseiras, o que irá permitir reflorestar entre 50 mil e 80 mil hectares com mata nativa no Pará. Consideramos o acordo fechado entre a Cosipar e o Ibama um exemplo evidente de como o uso de boas práticas de gestão socioambiental pelas empresas repercute favoravelmente em toda a cadeia produtiva, contribuindo para minimizar os impactos no meio ambiente.

17 de outubro de 2007

Empresas e bancos são alertados sobre riscos de usinas à carvão mineral

Bancos americanos são questionados por grupo ambientalista a deixar de financiar a indústria de carvão mineral. O grupo alega que nos Estados Unidos a geração de energia a partir do carvão é a que mais contribui para o aquecimento global, além de ser altamente poluente. Os ambientalistas dizem também que se todos os 150 projetos para construção de usinas termelétricas a carvão forem implantados, ficarão sem sentido todas as estratégias para redução de emissões de carbono. O grupo quer que os bancos invistam na geração de energia de fontes renováveis. No Brasil ocorre situação semelhante, onde a Vale do Rio Doce está sendo questionada pela população local, ambientalistas e Ministério Público quanto à viabilidade econômica e socioambiental do projeto de construção de usinas termelétricas a carvão mineral no estado do Pará. O projeto consiste na construção de usinas termelétricas utilizando carvão importado para suprir parte da necessidade de energia das unidades da Vale do Rio Doce, principalmente no Norte do País. Ambas situações, nos Estados Unidos e no Brasil, demonstram a crescente conscientização das pessoas em relação a questões socioambientais, do aquecimento do planeta e das mudanças climáticas, indicando a necessidade das empresas e do setor financeiro reavaliarem suas estratégias de negócios à luz dessa nova realiadade.