No dia 15 de junho, doze investidores institucionais, com o apoio do governo britânico, lançaram a iniciativa Forest Footprint Disclosure Project (FFDP). Seguindo a linha do Carbon Disclosure Project (CDP), o qual integra o seu comitê de direção, o FFDP enviará um questionário a uma série de empresas tratando do uso de commodities agrícolas provenientes de áreas desmatadas por elas e pelos seus fornecedores.
Dentre essas commodities encontram-se a soja, madeira, óleo de palma, carne e bio-combustíveis. O processo permite às empresas avaliar a contribuição – direta ou indireta – de seus negócios no desmatamento de florestas tropicais no mundo, assim como identificar onde e como minimizar ou eliminar essa contribuição. Para os investidores, por outro lado, possibilita a identificação de negócios sustentáveis no longo prazo para que possam, assim, se proteger dos riscos legais, ambientais e de reputação associados ao financiamento e investimento de empreendimentos envolvidos com desmatamento. Os resultados do questionário devem fornecer mais uma visão de processos do que indicadores quantitativos e, assim como no CDP, o FFDP elaborará um relatório baseado nas respostas recebidas. O primeiro relatório deverá ser publicado em janeiro de 2010.
A iniciativa do FFDP aparece em momento oportuno no contexto atual brasileiro, com a publicação recente do relatório do Greenpeace “A farra do boi na Amazônia” e a ação, movida pelo Ministério Público do Pará, denunciando grandes frigoríficos e pecuaristas por estarem envolvidos com desmatamento da floresta amazônica. A partir daí, grandes redes de supermercado suspenderam a compra de carne desses frigoríficos e a International Finance Corporation (IFC) antecipou o vencimento do contrato de financiamento com o frigorífico Bertin.
Na nossa opinião o FFDP é uma iniciativa interessante para o engajamento das empresas e dos investidores na redução do desmatamento, à medida em que considera toda a cadeia produtiva. Esperamos que receba elevado nível de adesão, assim como o CDP. Ao aderirem ao FFDP, as empresas podem ficar melhor preparadas e antecipar a busca de soluções de combate ao desmatamento e ao aquecimento global, que proximamente poderão ser objeto de regulamentações locais e internacionais.
Acesse o site do Forest Footprint Disclosure Project (FFDP)
(Gabriela Amorozo colaborou neste post)
Investidores lançam iniciativa para combater o desmatamento
Postado por Victorio e Cássio em 25.6.09 0 comentários
Critérios para seleção de empresas do ISE são revistos
Participamos nessa semana também da audiência pública do processo anual de revisão do questionário do Índice de Sustentabilidade Empresarial da Bovespa (ISE). Este índice tem por objetivo refletir o retorno de uma carteira de ações de empresas com reconhecido comprometimento com a sustentabilidade empresarial e também atuar como promotor das boas práticas.. A seleção da carteira é feita anualmente por meio das respostas das empresas ao questionário, sendo que uma nova carteira entra em vigor em 1° de dezembro de cada ano.
Dentre as principais alterações propostas ao questionário que foram debatidas no evento, destacamos:
- Na Dimensão Ambiental do questionário, a inclusão de questões relacionadas a ações de melhoria do desempenho ambiental na cadeia de suprimentos e de fornecedores, assim como do uso da certificação SA 8000;
- Na Dimensão Social, novas questões sobre acessibilidade seguindo a norma NBR 9050/ABNT – tanto na infra-estrutura para funcionários quanto para clientes;
- Na Dimensão Econômico-Financeira, a inclusão de questão referente à preparação de demonstrações financeiras em moeda constante. A justificativa é de que uma empresa que está comprometida com a sustentabilidade do seu negócio deve poder avaliar e comparar a geração de valor econômico ao longo do tempo, sem a influência da inflação;
- Na Dimensão Natureza do Produto, foi bastante discutida a tentativa de ampliar a abrangência da pergunta referente a produtos que contribuem para o agravamento do aquecimento global. Ela passaria a considerar outros setores além do de produção e comercialização de combustíveis fósseis e seus derivados, como também atividades que se baseiam ou dependem do uso intensivo desses combustíveis e aquelas que implicam em alterações no uso do solo. No entanto, não foi atingido um consenso para a redação dessa pergunta, uma vez que o escopo dessa questão deve ser o impacto da utilização do produto e não do seu processo produtivo (o qual já é contemplado na Dimensão Ambiental).
Ressaltamos a importância da participação das empresas e da sociedade no processo de revisão dos critérios de seleção do ISE. A incorporação da sustentabilidade nos negócios é um processo constante e que, portanto, requer essa revisão permanente do questionário. Neste ano, foi mínima a participação de organizações da sociedade civil na audiência pública. Ainda há tempo para envio de sugestões e críticas pela internet até o dia 25 de junho.
Participe da consulta pública on-line do questionário do ISE
Saiba mais sobre o ISE da Bovespa
(Gabriela Amorozo colaborou neste post)
Postado por Victorio e Cássio em 18.6.09 0 comentários
Evento da GRI aborda tendências nos relatórios de sustentabilidade
Participamos nesta semana da reunião dos stakeholders organizacionais brasileiros da Global Reporting Initiative – GRI, organização internacional dedicada ao desenvolvimento de diretrizes para a elaboração de relatórios de sustentabilidade pelas empresas. O encontro teve por objetivo apresentar à comunidade GRI no Brasil as mais recentes tendências a respeito do conteúdo desses relatórios.
Ernst Ligteringen, principal executivo da GRI, destacou que o crescimento populacional traz grandes desafios às empresas: “no ano 2050 haverá necessidade de 6 vezes mais recursos naturais para dar conta do crescimento da população e da quantidade de consumidores no mundo. Como ficará o planeta? Que tipo de economia estamos reinventando no pós-crise?” Ligteringen afirmou que é fundamental as empresas refletirem sobre isso e desenvolverem uma estratégia de sustentabilidade para enfrentar esses desafios. Especificamente sobre as diretrizes para elaboração de relatórios de sustentabilidade, ele disse que a GRI está focando no aprimoramento dos seguintes temas: conteúdo e materialidade das informações, direitos humanos, cadeia de fornecedores, gênero (igualdade de oportunidades) e indicadores para avaliar os impactos das empresas nas comunidades.
O ponto de vista comum dos debatedores convidados para o encontro, com o qual compartilhamos, foi que as empresas precisam perceber que os relatórios, elaborados com base na GRI, são uma ferramenta de gestão e monitoramento de suas metas de sustentabilidade e de questionamento de suas culturas empresariais. Não se pode perder de vista, contudo, que as questões de sustentabilidade devem fazer parte do dia-a-dia dos gestores das empresas.
Saiba mais sobre a GRI aqui.
Postado por Victorio e Cássio em 18.6.09 0 comentários
Triodos ganha o prêmio de banco sustentável do ano
O banco Triodos acaba de ganhar o prestigiado prêmio de banco sustentável do ano concedido pela International Finance Corporation – IFC e o jornal Financial Times – FT. É a primeira vez que uma instituição financeira, que já nasceu com a estratégia de sustentabilidade nos negócios, ganha esse prêmio.
Para nós, coordenadores deste blog, é motivo de satisfação recebermos esta notícia de premiação do banco Triodos. Foi justamente por entendermos que o modelo do Triodos pudesse servir de inspiração para o setor financeiro, que escrevemos o livro “Sustentabilidade dos Negócios no Setor Financeiro: Um caso prático”, lançado em março de 2008, onde apresentamos justamente o caso de sucesso do Triodos.
Com crescimento médio anual de 20% nos últimos 10 anos, 25% em 2008, e ativos de 3,7 bilhões de euros, o banco Triodos demonstra que seu modelo de negócio, radicalmente diferente, funciona, não é um nicho de mercado, nem uma butique ou um modelo para o futuro, segundo afirmaram os representantes da IFC e do FT membros da comissão julgadora do prêmio. Em meio à crise econômico-financeira eles destacaram a relevância de premiar o banco Triodos, afirmando que “este é o ano para demonstrar que precisamos de um novo modelo de negócio.”
Peter Blom, presidente do Triodos, afirmou: “nós desejamos contribuir para a construção de um sistema financeiro sustentável e pensamos que o nosso modelo de banco irá inspirar profundas mudanças no setor financeiro.” Fundado em 1980 na Holanda, o banco Triodos lançou nesse país os primeiros fundos com caráter “ambiental” e “cultural”. O banco possui 200 mil clientes e investe em mais de 9,5 mil projetos ao redor do mundo com objetivo de ampliar o mercado de serviços financeiros sustentáveis.
Saiba mais sobre o livro “Sustentabilidade dos Negócios no Setor Financeiro: Um caso prático”
Postado por Victorio e Cássio em 12.6.09 0 comentários
Evento com Peter Senge discute a sustentabilidade no contexto das mudanças climáticas
Participamos nesta semana do evento promovido pelo Grupo Santander Brasil – Encontro de Sustentabilidade com Peter Senge – cientista do MIT e autor do livro “A quinta disciplina”.
Em sua fala Senge destacou a perda de significado do termo “sustentabilidade”, devido à banalização de seu uso. Fez uma ampla apresentação sobre mudanças climáticas, traçando o panorama atual, suas possibilidades e alternativas, enfatizando a urgência da necessidade de alteração nos padrões de consumo e na redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE). Além disso, apontou a retirada de GEEs da atmosfera como ponto fundamental para uma política efetiva contra mudanças climáticas e colocou a liderança – não com relação a postos de comando, mas no sentido das pessoas se tornarem proativas frente à questão ambiental – como ferramenta-chave para uma efetiva mudança global.
Peter Senge exibiu o vídeo “The girl effect”, produzido pela Nike Foundation, e a partir dele abriu um diálogo com o público, colocando pontos de reflexão acerca do modo como vivemos. Apresentou também casos práticos do relacionamento entre grandes empresas e organizações de proteção ambiental. Nesse sentido, Senge colocou três pontos importantes para a construção de negócios e comunidades sustentáveis:
- O uso da criatividade ao invés de somente reagir para a solução de problemas;
- A colaboração através de fronteiras, para que o movimento seja global e dele participem entidades e organizações de todos os setores;
- A visão sistêmica, que é a percepção dos problemas como sintomas, interfaces de um grande sistema onde todos os seus componentes se relacionam e influenciam uns aos outros.
Por fim, ele se posicionou em relação ao conceito de sustentabilidade, colocando uma visão da qual compartilhamos: “sustentabilidade é a preocupação ambiental com uma nova embalagem", a não ser que seja incluído o bem-estar social nas estratégias empresariais."
(Gabriela Amorozo colaborou neste post)
Postado por Victorio e Cássio em 6.6.09 0 comentários



